Mulheres pedem respeito aos homens na hora da paquera no Carnaval

No Circuito
10 de fevereiro de 2018
por Genilson Coutinho
Uma piscada de olho ou beijinho no ar, isso é paquera! Mas tem quem prefira avançar o sinal e partir para o assédio, fazendo propostas desrespeitosas com palavras grosseiras. Para piorar, há ainda os criminosos, aqueles que utilizam o poder da dominação para abusar sexualmente das vítimas.
A vendedora Renata Santos, 20 anos, já perdeu de vista o número de vezes que foi assediada durante o Carnaval. “Já escutei muita baixaria, saio de perto e não dou ouvidos para não revidar”. Um pouco constrangida em falar sobre ao assunto diante das amigas, a vendedora Joana Neri, 33 anos, disse que reage sempre que se sente ameaçada: “xingo e pronto!”.
Para combater os maus exemplos, a Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), vai distribuir 20 mil ventarolas com a frase “o corpo dela não é atração do Carnaval”, além de 4 mil adesivos que pedem “deixe a foliã curtir em paz”.
“As ações de conscientização estão alertando tanto mulheres, quanto homens. As mulheres estão sabendo seus direitos e os homens precisam respeitar. Depois do ‘não’, tudo é assédio”, disse a secretária da SPMJ, Taissa Gama. Até o momento, não houve registro de ocorrências pela Prefeitura.
Na folia de Momo, a equipe da Prefeitura é reforçada. Dentro do circuito, o Centro de Referência Loreta Valadares (CRLV), nos Barris, está funcionando em regime de plantão, das 8h às 17h. Lá, as vítimas recebem orientação jurídica e psicossocial. Em 2017, a procura espontânea aumentou 45%, “sinal de que as mulheres estão cada vez mais conscientes dos seus direitos”, informou Maria Auxiliadora Alves, coordenadora dos Centros de Referência.
Em outro ponto da cidade, a Casa de Acolhimento provisório de curta duração Irmã Dulce está atendendo 24 horas as vítimas de violência doméstica e familiar que estejam em busca de um abrigo. Para isso, as mulheres devem procurar as delegacias especializadas para que sejam encaminhadas. O endereço da Casa de Acolhimento não é revelado para manter a segurança das mulheres.
Relatos – A jornalista paulista Ivana Araújo, 39 anos, que vem para Salvador desde 2005, conta que nesta quinta-feira (08), no Porto da Barra, acelerou o passo após ser xingada por um desconhecido. “Os homens não respeitam os limites, não entendem a hora de chegar e não sabem recuar. Sentem-se donos das mulheres”, desabafou.