Mulher transexual é esfaqueada em Aracaju

Notícias
22 de outubro de 2018
por Genilson Coutinho


POR NETO LUCON

Laysa Fortuna, mulher transexual de 25 anos, foi agredida e esfaqueada na noite da última  quinta-feira, 18, no Centro de Aracaju, Sergipe. Devido aos ferimentos e hemorragia, ela sofreu uma parada cardíaca e morreu no dia seguinte (19) no Hospital de Urgência Sergipe (Huse).

Segundo testemunhas, o agressor identificado como Alex da Silva Cardoso, pessoa em situação de rua, estava percorrendo o Centro e ameaçou diversas travestis incitando motivação política. Elas revelam que Alex dizia que, se Jair Bolsonaro (PSL) fosse eleito presidente, todas as pessoas trans e travestis seriam mortas. Ele também provocava e mostrava as partes íntimas.

Alex voltou com uma faca na mão, fazendo diversas travestis correrem do local onde estavam. Laysa tentou se defender quando ele tentou desferir uma facada na região do peito. Ela conseguiu empurrá-lo, mas recebeu uma facada na região do tórax. Após a agressão, ela gritou “Eu não quero morrer”. “Dor insuportável”, declara a ativista Linda Brasil.

Após a agressão, Laysa foi encaminhada ao Hospital Municipal Nestor Piva e, depois, ao Huse. Segundo a assessoria de comunicação do hospital, a vítima foi esfaqueada na região do tórax e o ferimento provocou hemorragia e sangue nos pulmões. Ela sofreu uma parada cardíaca no dia seguinte e, apesar da equipe tentar reanimá-la, veio a óbito.

O acusado chegou a detido por outras travestis e ser encaminhado para a 4ª Delegacia Metropolitana no Conjunto Augusto Franco, onde o caso foi registrado pelo delegado plantonista como lesão corporal de natureza leve. Ele foi liberado logo em seguida. “É muito doloroso perceber o aval de assassinato das pessoas trans por parte do próprio delegado de polícia. Laysa levou uma facada no tórax e o delegado soltou”, declarou Linda.

Antes da morte de Laysa, diversas ativistas da comunidade LGBT procuraram o Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV) para denunciar que o crime foi tipificado como lesão corporal, quando na verdade deveria ter sido registrado como tentativa de homicídio.