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Mulher trans pode ter câncer de mama? Voluntária que já venceu a doença debate sobre o tema

Genilson Coutinho,
25/10/2021 | 12h10

Outubro Rosa é o mês da conscientização coletiva sobre a importância da prevenção contra o câncer de mama. No entanto, a escassez de informação ainda deixa homens e mulheres trans em situação de vulnerabilidade, com maior exposição à doença e menos cientes das práticas de prevenção que poderiam, em muitos casos, salvar suas vidas.

Segundo uma pesquisa feita pela University Medical Center, em Amsterdã, mulheres trans possuem 47 vezes mais chances de desenvolver câncer de mama, do que homens cisgênero. No caso destas, o risco possui ligação com os hormônios de afirmação de gênero, como o estrogênio, que podem resultar em transformações físicas.

Informação e prevenção: as maiores armas contra o câncer de mama

De acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia é importante que tanto pessoas cis quanto trans adotem uma postura preventiva em relação à doença, mantendo-se alerta e realizando o teste do “toque” a fim de identificar a presença de possíveis nódulos nos seios. Além disso, a entidade ainda aponta algumas medidas que podem reduzir o risco de câncer de mama, são elas: adoção de uma alimentação saudável, prática de atividades físicas e realização de exames preventivos como a mamografia, que deve ser feita anualmente.

O câncer de mama pode levar a pessoa ao óbito ou a perda da mama. O diagnóstico precoce eleva em até 95% as chances de cura. “O método mais eficaz no combate ao câncer de mama, é feito com a disseminação de informação sobre os métodos de prevenção, controle e identificação do câncer de mama, levando as mulheres a realizarem o autoexame, além do diagnóstico em exames como a mamografia”, afirma Lu Braga, voluntária da causa que já venceu o câncer duas vezes.

Iniciativas de prevenção por quem conhece a doença de perto

Neste Outubro Rosa, Lu Braga está viabilizando a criação de um podcast onde busca trazer especialistas no tema para desmistificar o assunto e esclarecer dúvidas. “Há muita gente ainda que não realiza os exames por dúvida ou receio. Minha missão é ajudar a levar o máximo de pessoas possível a realizar os exames e, assim, acredito que estarei ajudando a salvar vidas. Não existe nada mais importante e valioso do que isso”, ressalta Lu.

Em episódio recentemente lançado, Lu Braga recebe Willy Montmann, fundador do time de vôlei Angels – maior time trans do Brasil; Mikaella Reis, transexual; e o Dr. Júlio Marques, advogado especialista em Direito da Saúde. O encontro tem como pauta o câncer de mama em pessoas trans e os direitos destes pacientes. Confira o bate-papo completo em: https://youtu.be/fJT78qqNmlg

Sobre Lu Braga

Voluntária de pacientes com câncer há mais de 20 anos. Encabeçou inúmeras campanhas de doação de sangue e de cadastro de medula óssea no Brasil. Foi a primeira paciente do Instituto Internacional Moça Bonita – primeiro trabalho no mundo, sem fins lucrativos, voltado para mulheres jovens com câncer com idade entre 20 e 50 anos.