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Mostra Devires traz o corpo para o centro do discurso a parir desta quinta (12) em Salvador

Genilson Coutinho,
09/07/2018 | 11h07

Malayka S/N é umas das atrações da Festa Devires no No Espaço Charriot (Comércio).

Projeto artístico que propõe um exercício de desnaturalização das relações entre sexo, gênero, visualidade, raça e poder, “Devires” promove sua primeira mostra entre os dias 12 e 17 de julho, ocupando o Goethe-Institut Salvador-Bahia. Numa programação gratuita, o evento apresenta cinco performances, uma exposição, uma mesa de debate e uma oficina, além de uma festa, que abordam questões sensíveis, mas sem constrangimentos, que censuram a liberdade da diversidade de corpos existentes. Artistas da Bahia, de outros estados e de fora do país participam da ação.

 Contemplado pelo Edital de Dinamização de Espaços Culturais, tendo apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia, “Devires” faz da sua casa o Goethe-Institut, que tem sido um dos espaços mais potentes do exercício artístico na capital baiana, promovendo atividades e oferecendo suporte a iniciativas de variadas espécies, na defesa da liberdade de expressão. O projeto terá mais duas etapas, de 9 a 11 de agosto e de 27 a 29 de setembro, no mesmo local.

 Ecoando vozes silenciadas e exibindo corpos invisíveis, a mostra se fundamenta, essencialmente, em transgredir, transmutar e subverter qualquer ação que aprisione identidades e personalidades. O não-lugar dos desviantes das lógicas hétero e cisnormativas, o machismo, o patriarcado, o racismo e preconceitos sobre loucura e saúde são pontos que recortam os trabalhos. Indivíduos inclassificáveis na militância artística por uma cidadania mais coletiva e pelo fortalecimento de uma micropolítica que possa ir penetrando, dia a dia, nas condições de autonomia, intimidade e proteção de todos e todas.

 A curadoria de Paola Marugán e Juliana Vieira traz, portanto, o corpo para o centro do discurso, abrindo olhar para outros mundos possíveis.

 PROGRAMAÇÃO – Nesta primeira etapa, “Devires” começa em 12 de julho com as performances “A babá quer passear”, que sai às 17h do Largo do Campo Grande em direção ao Goethe-Institut, seguida de “Serviçal”, às 20h, ambas de Ana Flávia Cavalcanti (SP). Na sexta-feira, dia 13, dois artistas da Bahia estarão em cena: Rozin Daltro, com “Enxágue”, às 18h, e Yuri Tripodi, com “Em nome da razão”, às 20h. No sábado, às 16h, a mesa de debate “De que formas fazer da vida uma prática política?” reúne Kleper Reis (MS), Nadia Granados (Colômbia) e Sandra Muñoz (BA), com mediação de Paola Marugan (Espanha). Para encerrar, Nadia Granados performa “Cabaret La Fulminante”, às 20h. Aberta no primeiro dia e com visitação continuada até 12 de agosto, a exposição CU É LINDO, de Kleper Reis, completa a grade.

 Haverá ainda a oficina “O corpo é o discurso – Práticas micropolíticas de cuidado mútuo”, com 15 vagas, ministrada por Yuri Tripodi nos dias 16 e 17, e a “Festa Devires”, que se movimenta para o Espaço Charriot (Comércio), na noite de 13 de julho.

 MOSTRA DEVIRES Etapa 1

www.mostradevires.com

Onde: Goethe-Institut Salvador-Bahia (Av. Sete de Setembro, 1809 – Corredor da Vitória)

Quando: 12 a 17 de julho de 2018

Realização: Giro Planejamento Cultural

Apoio financeiro: FCBA/ Sefaz/ SecultBA/ Governo da Bahia

 Exposição

CU É LINDO, de Kleper Reis (MS)

12/7 a 12/8, 9h às 19h Classificação indicativa: 18 anos

O profícuo suspirar de um mergulho nas raízes que suscita a aceitação do si mesmo. A emoção de lidar com a censura, as memórias das violências e dos espancamentos sofridos, as discriminações e os preconceitos sociais, as imagens do inconsciente e as notícias diárias.

 Performances

A babá quer passear, de Ana Flávia Cavalcanti (SP)

12/7, 17h, do Largo do Campo Grande ao Goethe-Institut Classificação indicativa: Livre

Uma babá dentro de um carrinho de bebê gigante e cor-de-rosa para discutir a invisibilidade da empregada doméstica no Brasil: mulheres negras periféricas em situação de vulnerabilidade social/econômica. E se invertêssemos os papéis? E se agora a babá quisesse passear?

 Serviçal, de Ana Flávia Cavalcanti (SP)

12/7, 20h Classificação indicativa: Livre

Solo a partir da performance “A Babá Quer Passar” convoca os negros presentes a contarem suas histórias de trabalho, mescladas a depoimentos colhidos durante o passeio da babá.

 Enxágue, de Rozin Daltro (BA)

13/7, 18h Classificação indicativa: 18 anos

Performance poética que busca desmistificar os estigmas relacionados a pessoas que vivem com HIV. Um banho para desconstrução da HIVfobia. Um corpo soropositivo lutando contra a margem, contra o silêncio opressor, contra o abandono afetivo.

 Em nome da razão, de Yuri Tripodi (BA)

13/7, 20h Classificação indicativa: 18 anos

Quem ordenou que nossos corpos e vivências se tornem exposição sem o nosso consentimento? A performance investiga a relação entre a loucura e a sociedade contemporânea, alicerçada em uma perspectiva que reconfigura estados e sensações vivenciados pelo autor.

 Cabaret La Fulminante, de Nadia Granados (Colômbia)

14/7, 20h Classificação indicativa: 18 anos

Montagem cênica para a divulgação do pensamento crítico de La Fulminante, personagem inspirado nos estereótipos da mulher latina, sexualmente provocativa, sacada das fantasias eróticas construídas pela mídia de massas, o reguetão e a pornografia.

 Mesa de debate

De que formas fazer da vida uma prática política?, com Kleper Reis (MS), Nadia Granados (Colômbia) e Sandra Muñoz (BA). Mediação: Paola Marugan (Espanha)

14/7, 16h Classificação indicativa: 14 anos

De que formas resistir em face ao contexto antidemocrático e violento em que nos encontramos? O que move o corpo? O que é o que o corpo pode mover? Como construir uma vida individual, mas politizada, que contribua no fortalecimento do tecido social? De que formas viver a vida compreendida como um espaço aberto à experimentação? Quais éticas seriam essas?

 Oficina

O corpo é o discurso – Práticas micropolíticas de cuidado mútuo, com Yuri Tripodi (BA)

16/7 e 17/7, 9h às 13h 15 vagas. Inscrições no site.

A macropolítica brasileira, em seu estado atual, não está voltada para os desejos do povo. Produz e alimenta o medo em pessoas dissidentes e/ou vulneráveis socialmente. A proposta da oficina é juntar forças; expor fragilidades e angústias para enfrentar, por meio da expressão artística, toda repressão e políticas do medo.

 Festa Devires

13/7, 22h Classificação indicativa: 18 anos

No Espaço Charriot (Comércio). Ingresso: R$ 10

No lineup, Diih Cerqueira, Nai Sena, Pivoman e Tia Carol. Performances de Afrobapho, Frutífera Ilha e Malayka SN.