Morre filho de casal gay agredido em escola de SP

Comportamento, Social
10 de março de 2015
por Genilson Coutinho
Peterson foi agredido na última quinta Arquivo Pessoal

Peterson foi agredido na última quinta
Arquivo Pessoal

A Secretaria estadual de Saúde de São Paulo confirmou, na última  segunda-feira, a morte do adolescente Peterson Ricardo de Oliveira, de 14 anos, que teria sido agredido por ser filho de gays. O garoto estava internado, em coma, no Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, com hemorragia cerebral, desde o último dia 5. O pai do menino, Márcio Nogueira, disse que o filho foi espancado dentro de uma escola pública na Vila Jamil, na manhã da última quinta-feira.

A Secretaria de Educação, no entanto, diz que não houve registro nenhum de agressão no colégio, mas o pai do jovem afirma o contrário.

“Eu não sabia que meu filho sofria preconceito por ser filho de um casal homossexual. O delegado que nos informou. Estamos tristes e decidimos divulgar o que aconteceu para que isso não se repita com outras crianças. Eu estou pedindo muito que meu filho sobreviva a tudo isso, mas queremos também que a Justiça seja feita”, disse o pai do adolescente, ao R7, no dia da internação do filho.

Ainda segundo o site, o pai disse que irá processar o governo de São Paulo pela morte do rapaz.

Caso está sendo investigado

Márcio prestou queixa na delegacia de Ferraz de Vasconcelos sobre o caso, que está sendo investigado pela Divisão de Homicídios de Itaquaquecetuba.

De acordo com o delegado responsável pela investigação, Eduardo Boiguez Queiroz, as investigações apontaram que não houve espancamento. O jovem teria tido um pequeno desentendimento com outro aluno, ainda de manhã. De acordo com a polícia, ele passou o dia normalmente e se sentiu mal só durante a tarde.

Filho de casal gay está em coma após ser espancado na escola por homofobia

— Não houve espancamento. Houve uma briga, por volta de 6h55, de cerca de 10 a 15 segundos. Logo foram separados. Ninguém bateu na cabeça dele. Foram para o intervalo, tudo normal. O garoto lanchou, brincou. Mais tarde, ele teve um Acidente Vascular Cerebral e foi para o hospital — diz o delegado, que ouviu funcionários que socorreram o menino, além do outro aluno que teria se envolvido na confusão.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, o adolescente deu entrada no hospital na última quinta-feira, com parada cardiorrespiratória e passou por processo de reanimação. Os médicos constataram uma hemorragia cerebral, mas não havia sinais externos de violência física.

De acordo com a Secretaria de Educação de São Paulo, câmeras de segurança do colégio foram analisadas e não foi constatado nenhum caso parecido com o relatado pelo pai do jovem. A Secretaria de Segurança de SP limitou-se a dizer que o caso está sendo investigado.