Militantes comentam os ganhos e perdas em 2016

Notícias
26 de dezembro de 2016
por Genilson Coutinho

O ano de 2016 está chegando ao fim como um dos anos mais negativos para os brasileiros, em todos os sentidos. Com relação à  comunidade LGBT, as perdas e conquistas estão pautadas nas memórias da militância, que vê 2016 como um ano de pouco avanço e miita tristeza, principalmente pelos aparamentes números de LGBT assassinados no Brasil, que infelizmente continuam crescendo. Nossa equipe conversou com alguns militantes para saber como foi 2016 para eles.

Confira:    

DesiRée Beck – Transformista

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O ano de 2016 foi um ano de intensa renovação e movimentação na cena transformista de Salvador, com grandes espetáculos e concursos que promoveram a visibilidade das artistas. Foi de extrema importância os espaços dados a homenagens de grandes artistas com muitos anos de carreira, que tanto contribuiriam, como ainda contribui!

Javier Angonoa  – Consultor  UNAIDS Brasil

Participamos das Ações de Prevenção ao HIV no Carnaval de Salvador 2016, junto aos governos do Estado e do Município e com as OSC locais; Realizamos 2 Seminários de Zero Discriminação nos Serviços de Saúde, para mais de 100 profissionais dos serviços de saúde da cidade; Implementamos a Campanha Eu Abraço, de incentivo à Zero Discriminação , prevenção do HIV e diponibilização de testagem para HIV, durante os Jogos Olímpicos Rio 2016, em Salvador, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde; Capacitamos 25 jovens no 1° Curso para Jovens Ativistas em HIV e Diretos Humanos, Realizamos , junto ao GAPA Bahia as Jornadas sobre Juventude HIV/Aids e Direitos Humanos; realizamos, em forma conjunta com outras instituições, a Semana Vermelha de Luta contra Aids, uma semana de atividades em diversos locais.

João Nery – Primeiro transhomem a ser operado no Brasil

2016 só teve de bom o decreto da Dilma sobre o nome social, o que abrange somente as translésbicas.

Inês Silva – Coordenadora do Grupo Famílias pela Diversidade

2016 foi um ano difícil em todxs os sentidos, principalmente para a população LGBT. Vivemos num país de desmandos, onde nossos filhxs vivem a margem da sociedade, sociedade que finge a não existência da população LGBT. Estamos terminando o ano mais fortes e decididos do que nunca, na busca em construir de uma sociedade igualitária.

Luiz Mott – Fundador do movimento LGBT  da Bahia

Ano entra, ano sai, e o Brasil continua líder mundial de crimes homofóbicos: 2016 repetirá a mesma tragédia anunciada, mais de 300 assassinatos de LGBT mantendo a mesma média dos últimos anos. E a Bahia também na liderança nordestina desses “homocídios”, só perde de São Paulo. Nenhuma lei federal aprovada para garantir a cidadania plena de nosso povo LGBT. Quem obteve algum ganho foram as/os trans, que tiveram seu nome social reconhecido em diversos estados e instituições. O HIV/Aids continua barbarizando sobretudo os jovens gays. Nosso Conselho LGBT após dois anos de salários recebidos, que ações mesmo deslanchou em benefício de nossa comunidade ¿¿¿  O fracasso eleitoral de nossos candidatos LGBT reflete a alienação do eleitorado cor de rosa. Triste Bahia, triste Brasil LGBT!

Barbara Alves – Militante Lésbica de Direitos Humanos

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O ano de 2016 tá sendo de luta e de tentativas de apagamento da existência lésbica, na perspectiva feminina das forças opressoras adversas, e dos machistas misóginos, das mulheres héteros e das feministas, hoje, em menor escala e que continuam racistas e lesbofóbicas e transfóbicas .