Militante divulga carta sobre o programa de DST/AIDS de Simões Filho

Comportamento, Social
18 de janeiro de 2017
por Genilson Coutinho

Por *Rafael Myranda

Considerando algumas notícias inverídicas que foram divulgadas recentemente venho a público fazer alguns esclarecimentos sobre o verdadeiro trabalho realizado pelo Programa DST/AIDS e ao tempo reforçar que o Centro de Referência em DST/AIDS sempre faz testagem para HIV, sífilis e Hepatites B e C, respeitando os protocolos do Ministério da Saúde e também o sigilo do paciente. Segue abaixo pequeno histórico, ações realizadas no último ano e também os avanços que tivemos nesses anos que estive a frente do Programa DST/AIDS:

HISTÓRICO

Em Simões Filho, até 2004, inexistiam ações de prevenção e assistência à DST/AIDS na Secretaria Municipal de Saúde. Foi então criado o Grupo Gay de Simões Filho (GGSF) com recursos do projeto SOMOS do Programa Nacional de DST/AIDS do Ministério da Saúde em parceria do o Grupo Gay da Bahia (GGB) – para responder às pressões da assistência aos doentes com AIDS e desenvolver ações educativas e de prevenção. Tendo como fundador o ativista social Nino Penteado.

Em 2006, constituiu-se o Programa Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS (PMDST/AIDS) e em 2008, foi implantado o primeiro CTA – Centro de Testagem e Aconselhamento, que passou a assumir as ações de prevenção e aconselhamento para testagem do HIV, Sífilis e Hepatites conforme preconizava o Ministério da Saúde. O Programa de DST/AIDS desde seu início foi coordenado pelo assistente social Nino Penteado a qual desenvolvia várias campanhas, capacitações e ações extramuros de prevenção as DST/AIDS.

O Serviço de Atendimento Especializado (SAE) em DST/AIDS foi criado em 2014, agregando o CTA e o PM/DST/AIDS (Programa Municipal de DST/AIDS, que existia desde 2006), com o falecimento do coordenador Nino Penteado, o ativista, educador social e professor, Rafael Myranda assumiu a Coordenação e deu uma nova roupagem ao Programa. O SAE passou a ser a unidade de saúde onde grande parte das ações do Programa são desenvolvidas. É composto por equipe multidisciplinar que agrega diferentes formas de atendimento, com o objetivo de promover a abordagem integral ao indivíduo na atenção à sua saúde. Todos os serviços oferecidos são públicos e destinados à população de Simões Filho, como parte da rede SUS.

O PM-DST/AIDS tem uma coordenação responsável pela interlocução entre os diferentes níveis de gestão do sistema de saúde (municipal, estadual e federal), e pela articulação dos serviços e organizações governamentais e não governamentais ligadas às DST/HIV/AIDS no município. Dentro da estrutura organizacional da Secretaria Municipal de Saúde, o PMDST/AIDS está subordinado a Vigilância a Saúde.

Ações desenvolvidas em 2016

O Programa de DST/AIDS e Hepatites Virais de Simões Filho se configura na modalidade de Serviço de Atenção Especializada – SAE e desenvolve as seguintes atividades: oferta qualificada do processo de acolhimento e aconselhamento pré e pós de teste rápido para HIV, Sífilis, Hepatite B e C; ações de profilaxia pós-exposição por acidente perfuro cortante e por violência sexual, além das profilaxias pós-exposições sexuais; atendimento e acompanhamento às gestantes HIV+ e pessoas vivendo com HIV/AIDS sem complicações, de crianças expostas ao risco do HIV/AIDS, realiza coleta e encaminhamento de amostras das principais sorologias predeterminantes de infecções oportunistas com caráter estatístico e epidemiológico mais significativo; desenvolve ações de prevenção junto a Atenção Básica e às Instituições de educação situadas no território municipal, mantém um vinculo e interlocução com os técnicos do setor de regulação para acompanhamento dos casos de maior complexidade a fim de garantir o acesso.

O Programa de DST/AIDS e Hepatites virais conta com os seguintes profissionais: 01 gerente, 01 médico infectologista, 01 assistente social, 01 enfermeira, 01 técnica de enfermagem e 02 técnicos de laboratório.

Foram realizadas 536 coletas de exames laboratoriais, as terças-feiras, e dos testes rápidos diariamente.

Realização descentralizada dos testes rápidos para HIV 1 e 2, Sífilis e Hepatites B e C para 100% das unidades básicas de saúde.

De janeiro a outubro, foram realizadas 298 consultas especializadas de infectologia, 600 atendimentos de enfermagem e 546 atendimentos de serviço social.

No mesmo período foram realizados 1.805 testes rápidos, sendo que 663 HIV, 426  sífilis, 427 HCV (hepatite C), 289 AGHBS (hepatite B).  Tendo resultados positivos: 20 HIV, 24 Sífilis, 03 HCV e 03 AGHBS.

O SAE acompanha 85 pacientes com HIV que estão em tratamento e com grande adesão.

*Fonte: Livro de registro da SAE.

Avanços:       

– Implantação do SAE ( Serviço de Atendimento Especializado em DST/AIDS) com equipe multidisciplinar( Infectologista, Assistente Social, Enfermeira, Tec. de Enfermagem, Tec. de Laboratório, uma profissional que dar suporte Farmacêutico e o Gerente);

-Habilitação e estruturação da UDM (Farmácia de Antiretrovirais);

-Palestras Educativas em escolas, ONGs, empresas, instituições religiosas e outros;

-Implantação da Coleta de CD4/Carga Viral para pacientes de HIV/AIDS;

– Realização de vários tipos de coletas (PSA, Hormonais, Sorologias, exames do Pré-Natal, entre outros) com cota para demanda populacional;

– Formação de sala de espera no Ambulatório de Especialidades (ANEXO) com oferta de testes rápidos pára HIV, Sífilis, Hepatite B/C, aconselhamento e orientação.

– Dispensação de Insumos de Prevenção (Camisinhas masculinas e femininas, gel lubrificantes e materiais informativos) para Agentes de Saúde, Associações, Postos de Saúde, lideranças comunitárias e população em geral;

– Realizações de campanhas, feiras de saúde, Blitz da Prevenção;

-Participações em capacitações, eventos do Movimento Social, Congressos Estaduais e Nacionais, eventos culturais (Carnaval, Festas Juninas, entre outros)

O Programa de DST/AIDS no cenário atual encontra embasado e seguindo todos os critérios preconizados pelo Ministério da Saúde, sendo um serviço que agrega a população levando informações sobre doenças que as pessoas têm medo ou vergonha de falar devido ainda ao tabu sobre a Sexualidade, relata Rafael Myranda, que coordenou o Programa nesses últimos anos.

*Rafael Myranda- Ativista Social, formado em Historia, especializado em Educação em Saúde, membro do Fórum Baiano de ONGs AIDS, membro da Comissão Nacional de DST/AIDS (CNAIDS) do Ministério da Saúde, presidente do Conselho de Saúde de Simões Filho e esteve coordenando o Programa DST/AIDS de Simões Filho nesses últimos anos.