Meu nome é Tereza: A vida de preconceitos e dificuldades enfrentados pelos homens trans

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20 de setembro de 2013
por Genilson Coutinho

A edição Nº 112 da Revista Vive r Brasil traz, na sua matéria de capa, uma abordagem sobre as dificuldades legais e preconceitos enfrentados por pessoas de sexo biológico feminino que se reconhecem com a identidade de gênero masculina, tais quais os padrões de sexo e gênero atribuídos socialmente.

A mineira Tereza Brant, 20, quer ser definida como pessoa e conta que ultimamente, para evitar confusões, tem frequentado os banheiros públicos masculinos e confessa que nunca esteve tão feliz. “Estou muito bem, me descobrindo.”

Para o escritor Joao W Nery , deixar Joana, como foi batizado, para trás, não foi tão fácil. Ele que hoje tem 63 e fez sua cirurgia aos 27 anos, de forma clandestina, de acadêmico passou a, oficialmente, analfabeto. Nery afirma que qualquer pessoa que saia do binarismo homem, mulher, se torna invisível, abjeto para a sociedade. O paradoxo, para ele, está justamente no fato de vivermos numa época em que a cirurgia estética chega às raias do excesso e pode ser feita por qualquer um, menos pelos trans. “Para conseguir o laudo, a pessoa tem como obrigatoriedade passar 24 horas do dia vestido de acordo com o sexo em que se identifica. Isso sem ter feito cirurgia ou hormonoterapia”, diz Nery.

Tereza conta que desde criança se sentia desconfortável com a aparência feminina. Já nas lembranças de Nery, jipes, bolas, bolas de gude sempre povoaram sua infância como suas brincadeiras e presentes preferidos.

João Nery se casou quatro vezes, tem um filho – que só por acaso não é biológico, porque ao falar da relação dos dois, sente-se o respeito e o amor mútuos. É um cidadão com dupla identidade – a de Joana, a psicóloga e professora, que já não lhe serve para nada, e a de João, um sujeito analfabeto. Nesse meio tempo, escreveu dois livros, Erro de Pessoa e Viagem Solitária. Promete entrar na Justiça quando todo mundo puder trocar o nome. Em sua homenagem, Jean Wyllys nomeou seu projeto de lei de identidade de gênero como lei João W. Nery. Se aprovada, a identidade de gênero passa a ser entendida como a vivência interna e individual do gênero tal como cada pessoa o sente, o qual pode corresponder, ou não, com o sexo atribuído após o nascimento e determina que toda pessoa tem direito ao reconhecimento de sua identidade de gênero sem precisar provar nada. Basta ir ao cartório e pedir a mudança em seu registro.

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