Menor preocupação com aids favoreceu crescimento da sífilis, alerta o Seconci-SP

AIDS em pauta, Comportamento, Social
15 de fevereiro de 2016
por Genilson Coutinho

Em seis anos, o número de casos de sífilis contraída por adultos aumentou em 603% no Estado de São Paulo. “Os jovens perderam o medo da aids e muitos afirmam que não vão usar o preservativo, já que se contraírem o HIV, sabem que não vão morrer. Para eles, a aids deixou de ser uma doença fatal e uma das consequências do abandono do preservativo é o aumento do número de casos de sífilis diagnosticados no Brasil”, alerta Dagmar Maia Kistemann, médica do Seconci-SP (Serviço Social da Construção). Os dados são da Secretaria Estadual de Saúde e mostram que entre 2007 a 2013, o número de pacientes com sífilis saltou de 2.694 para 18.951.

Por meio da terapia com antibiótico, a cura da sífilis é efetiva, porém se a doença não for tratada, os pacientes ficam expostos a graves problemas cardíacos e neurológicos. O número de bebês que morreram por causa da sífilis congênita quase triplicou entre 2008 e 2013. “Caso a mãe passe a doença para o filho, a chamada sífilis congênita, o bebê pode nascer com retardo mental, baixo peso, problemas nos dentes, deformações no rosto, cegueira e pode até ocorrer um aborto espontâneo”, explica  Dagmar.

Transmissão

A sífilis é transmitida por meio de relações sexuais sem o uso de preservativo, transfusões de sangue e da mãe para o bebê em qualquer fase da gestação, até o momento do parto. “Pode ser transmitida inclusive nas relações sexuais anais e orais. A recomendação é usar preservativo sempre, mesmo associado a outras formas de contracepção, já que é a única maneira segura de prevenção. A dica para as mulheres que desejam engravidar é fazer o exame antes, para checar se são portadoras da doença ou não”, alerta a médica do Seconci-SP.

Sintomas

  1. a) Sífilis primária: pequenas feridas nos órgãos genitais que somem espontaneamente e não deixam cicatrizes. Gânglios aumentados e ínguas na região das virilhas.
  2. b) Sífilis secundária: manchas vermelhas na pele, na boca, nas mãos e nos pés. Febre, dor de cabeça, mal-estar, falta de apetite e linfonodos espalhados pelo corpo.
  3. c) Sífilis terciária: sistema nervoso central comprometido, inflamação da aorta prejudicando o sistema cardiovascular e lesões na pele e ossos.

Gonorreia

Outra importante doença infectocontagiosa sexualmente transmissível  é a gonorreia, causada por uma bactéria que infecta a uretra – canal que liga a bexiga ao meio externo. A bactéria pode se disseminar pela corrente sanguínea, agredir as grandes articulações ou causar feridas na pele. Entre os sintomas estão a inflamação, infecção, dor ou ardor ao urinar e saída de secreção purulenta por meio da uretra, manchando as roupas íntimas.

Nos homens, a doença provoca sintomas mais aparentes, mas nas mulheres, em geral, não há sintomas. O período de incubação, que vai desde a relação sexual sem proteção até as primeiras manifestações da doença, pode ser curto, de 24 horas. O tratamento é feito com antibióticos, em doses únicas assistidas, já que é fundamental o paciente tomar o remédio na frente do médico.

Caso não tratada, a infecção em homens pode alcançar os testículos e gerar infertilidade. Nas mulheres, pode chegar ao útero e provocar um processo inflamatório. Além de causar infertilidade, a doença pode ser fatal. A gonorreia também pode ser transmitida para a criança pela mãe no momento do parto.

Clamídia

Clamídia é a DST de maior prevalência no mundo. Causada por uma bactéria, ela pode infectar homens e mulheres, e geralmente não tem sintomas. A infecção atinge especialmente a uretra e órgãos genitais, mas pode acometer a região anal, a faringe e ser responsável por doenças pulmonares.

A clamídia é uma das causas da infertilidade masculina e feminina. Nas mulheres, o risco é a bactéria atravessar o colo uterino, chegar até as trompas gerando a doença inflamatória pélvica. A clamídia pode ser transmitida de forma vertical para o bebê na hora do parto. Não existe vacina contra a doença e a única forma de prevenir é o sexo seguro com o uso de preservativos. Se a pessoa for contaminada, o tratamento consiste no uso de antibióticos.

Fonte : Maxpress