Masturbação: “Verdades e Mitos”

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3 de junho de 2011
por Genilson Coutinho

Exercer a curiosidade com o próprio corpo é uma das maneiras mais de se autoconhecer. Porém, muita mulheres ainda não têm a coragem de adimitir que se masturbam, ou que gostam de experimentar as sensações que a sexualidade proporciona. Segundo o psicólogo e pesquisador do IPASEX (Instituto Paulista de Sexualidade), Diego Henrique Viviani, “estamos habituados a ver os meninos serem incentivados à prática masturbatória, enquanto as meninas são incentivadas a não se manipular”, repreensão baseada em uma série de mitos e crenças ineficazes à realidade como, por exemplo: “menina de família não deve fazer isso”“vai machucar”“perde o desejo sexual” e mais dezenas deles.

Os mitos da masturbação:

Ao longo da história da humanidade, muitos mitos surgiram para criar um processo de repressão moral e religiosa da masturbação. Na Idade Média, masturbar-se era considerado um grave ato pagão, chegando a ser punido com a morte na fogueira.

Ao contrário do que foi dito pelo psicanalista Sigmund Freud, em 1895, a prática masturbatória clitoriana não faz com que a mulher perca a aptidão para o orgasmo vaginal. Para Diego Viviani, “a automanipulação não é prejudicial. Pelo contrário, ela é benéfica, ajuda a pessoa a se conhecer, a entender o mecanismo do seu corpo para obter prazer individualmente e na relação sexual”.

Todos nós temos direito ao sexo!

A saúde sexual é considerada um direito humano básico pela WAS (Associação Mundial pela Saúde Sexual). Segundo a Declaração dos Direitos Sexuais, “a sexualidade é uma parte integral da personalidade de todo ser humano. O desenvolvimento total depende da satisfação de necessidades humanas básicas, tais como desejo de contato, intimidade, expressão emocional, prazer, carinho e amor”.

A publicitária Fernanda Ribeiro completa: “Dar prazer ao próprio corpo é uma coisa muito bonita, em minha opinião”. Ela acredita que criar essa intimidade pode não ser fácil para algumas pessoas, “por questões sociais e culturais, mas se conhecer e se satisfazer é maravilhoso, e a mim sempre fez muito bem. Nada de culpa”.

O papel de aprender a realizar o prazer não deve ser somente de uma das partes num relacionamento. Guilherme Paes conta que sua namorada nunca tinha atingido o orgasmo com penetração, além de afirmar nunca ter se masturbado.“Ela era mais nova que eu e muito tímida. Queria que ela tivesse tanto prazer quanto eu, então resolvi, literalmente, dar uma mãozinha”, brinca. Ele conta que primeiro estimulou-a com o sexo oral, com as mãos e até comprou para ela um vibrador.“Hoje ela não tem problemas para gozar e se vira bem sozinha quando não estou por aqui”, diz Guilherme, que trabalha no ramo de hotelaria e viaja frequentemente.

Use a criatividade!

O pompoarismo é uma das muitas maneiras de se autoestimular. Para quem ainda não está familiarizado, pompoarismo é uma técnica milenar oriental e consiste na contração voluntária do períneo. Pode ser praticada tanto por mulheres quanto por homens. Nas mulheres, o períneo se encontra entre a vagina e o ânus. Nos homens, entre o saco escrotal e o ânus.

A prática feminina se dá através do uso bolinhas ligadas por um cordão de náilon, conhecidas também como bolinhas tailandesas ou ben-wa.

Um dos objetivos do pompoar é fazer com que a mulher tenha um maior domínio do seu corpo durante a relação, atingindo junto ao parceiro o prazer máximo. É uma forma de exploração mútua de prazer. A mulher perde o pudor com o próprio corpo e eleva sua autoestima.

Além de proporcionar mais prazer à vida sexual de um casal, o pompoarismo também evita problemas de saúde ligados à musculatura da região. Maísa Pacheco é proprietária da Sex Shop Vênus, uma loja especializada em produtos eróticos no movimentado cruzamento entre a Rua da Consolação e a Avenida Paulista, em São Paulo. Ela diz que a procura pelo ben-wa é crescente, não só por jovens, como também por senhoras idosas. “Elas buscam o ben-wa por recomendação de fisioterapeutas, pois o exercício auxilia nos problemas de incontinência urinária e bexiga baixa”.

Existem atualmente, no mercado sexual, diversos produtos estimulantes para o prazer feminino e do casal. Maísa Pacheco afirma que o número de mulheres que procura por vibradores, brinquedos eróticos, géis térmicos é superior ao número de homens. Segundo sua funcionária Cláudia Campos, o preferido entre as clientes é o gel térmico, que “além de facilitar a penetração, (o gel) quando esquenta, estimula ainda mais a relação”.

Os vibradores elétricos e os consolos de borracha também estão entre os favoritos das mulheres.“Hoje em dia, mulher nenhuma tem vergonha de entrar numa Sex Shop e comprar um vibrador, algumas para brincar sozinhas, outras com parceiro ou parceira. Vale tudo”, conta Maísa.

Procure alternativas!

Fernanda Ribeiro raramente atinge o orgasmo com a penetração, seja com parceiro casual, seja com um namorado. Ao longo do tempo foi aprendendo várias formas de se divertir na cama. “Quando fui morar com o meu namorado, comprei um vibrador pequeno – desses que parecem um batom, para a gente brincar. Aí era bem mais fácil eu conseguir ter um orgasmo. Enquanto ele me penetrava, eu colocava o vibrador no meu clitóris. No fim, desenvolvemos uma forma para eu gozar, mesmo sem o vibrador. Era muito gostoso sentir um prazer tão intenso junto com ele, então comecei a me interessar por isso”.

Um alerta:

Para o pesquisador do IPASEX, “a única maneira da masturbação ser prejudicial é no caso de uma compulsão sexual, pois, assim, a automanipulação irá ser usada a todo momento para diminuição de um estado de ansiedade, prejudicando o dia a dia dessa pessoa, atrapalhando em sua rotina e deveres. Nesse caso, é necessário procurar ajuda especializada, pois pode ser que essa pessoa se machuque pela prática exacerbada, sem contar que ela acaba se colocando em comportamento de risco, procurando sexo a todo momento, muitas vezes com diversas parcerias e recorrendo à prática masturbatória quando não encontra sexo”.

Dessa forma, a masturbação deverá ser vista como a “liberdade sexual tomando novas formas”. É a virtualização do prazer – que pode começar sempre com você mesmo. Sozinhas ou com a mãozinha do parceiro(a), é preciso deixar essa manipulação mágica mostrar seus poderes.

Por

Johann

Sócio da Pimentinha Vermelha