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Mametu Kafurengá comemorou a sua obrigação de 21 anos

Genilson Coutinho,
19/07/2021 | 11h07
foto: Elder Ribeiro / Taata Luangomina

por Elder Pereira Ribeiro

A festa litúrgica aconteceu no sábado (17/07/2021), com a presença de diversos líderes religiosos de Santo Amaro da Purificação, Salvador e Rio de Janeiro.

Seguindo o Protocolo de Prevenção do COVID-19 que obedece às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Maria Balbina dos Santos (nome de nascimento), Mãe Bárbara de Cajaíba (como é conhecida na cidade), Mametu Kafurengá (nome religioso), nascida no dia 03 de dezembro de 1973 no povoado de Serra Grande na Covoada, local que pertence a Tancredo Neves (antes era parte de Valença), na Bahia.

Uma das mais importantes sacerdotisas do culto aos Nkissis (divindades congo-angola) do Brasil, ela tem um livro publicado, intitulado: “Pedagogia do Terreiro: Experiências da Primeira Escola de Religião e Cultura de Matriz Africana do Baixo Sul da Bahia – Escola Caxuté”, e obteve notório reconhecimento pela Universidade do Estado da Bahia como Lutadora do Baixo Sul da Bahia. Mametu Kafurengá é uma figura central no Baixo Sul da Bahia, ela vem democratizando a fé no Candomblé, sendo-a resistente sob às forças de seus ancestrais, como a exemplo de Mãe Mira, senhora que muito lhe ensinou a caminhar com o Ofò na garganta (palavras encantadas) em Yorubá, para construir um percurso religioso primoroso.

foto: Elder Ribeiro / Taata Luangomina

O “povo-de-santo”, como já nos disse o saudoso antropólogo, Vivaldo da Costa Lima, se reuniram em direção ao Terreiro Caxuté, para tomar a benção do Nkissi Lembá (o pai maior), na tradição congo-angola, já na tradição Yorubá é conhecido como (Oxalá), o pai de todos os Orixás.

À noite cobriu o Terreiro Caxuté com o Alá (pano branco), a energia tomava a todos(as), o Xirê (roda) foi puxada pelo filho biológico de Mametu Kafurengá, o antropólogo e pesquisador, Taata Ria Nkissi Luangomina. A puxada da roda deu-se da seguinte forma: primeiro os Taatas Ngomas (tocadores de atabaques), posteriormente, as Makotas (cuidadora dos Nkissis) ou “A Mãe de Todos”, como já nos disse na perspectiva Yorubá a grandiosa Ekedji Sinha da Casa Branca, notava-se também no Xirê, os filhos de santo que tem cargos no Terreiro, e por fim, os Muzenas (novos iniciados).

Houve as puxadas que geralmente fazem em obrigações de tempos de iniciação, alguns Nkissis do Terreiro, tomaram o Rum (dançou). A hora mais esperada da noite, a presença de Lembá entrando em seu barracão vestido de branco, de cabeça baixa, as Makotas do Caxuté seguravam altamente um Alá em cima de Lembá, para que ele fizesse a sua passagem, abençoando(os)(as).

Nas mãos de Lembá também havia um Opaxorô: símbolo que traduz a criação do mundo, do ser vivo, servindo para a locomoção cuidadosa desse Nkissi. Lembá sacudia o símbolo de um pombo fica em cima de seu Opaxorô, esse mesmo pombo representa a ligação profunda entre o Ayê (Terra) e o Orun (Céu).

Elder Pereira Ribeiro – Gay negro, santamarense, professor, escritor, Babá Egbé do Ilê Axé Idan. Especialista em Antropologia e Fundamentos da Educação Social pela (FACUMINAS).