Luta das mulheres é tema da 7ª Caminha da Rainha Nzinga no Nordeste de Amaralina

Comportamento, Social
24 de março de 2017
por Genilson Coutinho

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Com a intenção de celebrar as conquistas do passado e destacar um presente de lutas, as mulheres do Nordeste de Amaralina vão às ruas neste sábado (25), às 9h, na 7ª Caminha da Rainha Nzinga, evento realizado pelo Centro Social Urbano (CSU) do Nordeste de Amaralina, vinculado à Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS). Com o tema “Mulher símbolo da transformação e luta”, a caminhada será formada por diversas alas temáticas, com a participação dos projetos sociais e culturais, personalidades e moradores do Nordeste. O evento tem início no CSU Nordeste, no Beco da Cultura, percorre a rua Manoel Dias, na Pituba, e finaliza no Largo das Baianas, em Amaralina. O secretário Carlos Martins estará presente no evento.

Para a coordenadora do CSU Nordeste, Andreia Macedo, a iniciativa demonstra o poder organizacional da sociedade civil do bairro, ao mesmo tempo em que pede apoio para novos projetos. “O Nordeste só é visto como um local que fornece mão de obra barata, mas, quando as mulheres do bairro se reúnem e fazem um evento como esse, mostram a organização de uma comunidade, que tem escolas, comércio forte, contando com o apoio do Governo do Estado, através do CSU, e projetos que acontecem dentro do Nordeste. Ao mesmo tempo, essa caminhada também chama atenção para que nossos projetos sociais possam ganhar novos apoios”, destacou. O evento cultural contará com a participação do grupo Capoeira Mangangá e atrações musicais.

Programação – Uma programação com atividades de cidadania, direito, empreendedorismo e valorização da autoestima antecede a caminhada. Nesta sexta (24), acontecem oficinas de turbante e trançado, entre outras atividades, na sede do CSU Nordeste de Amaralina. O CSU também receberá duas palestras. A primeira da jornalista Patricia Bernardes, sobre o combate à violência contra a mulher: “Mulheres não fiquem em silêncio”. Em seguida, uma palestra do Procon debate empreendedorismo.

 

Rainha Nzinga – Criada em 2010, a Caminhada da Rainha Nzinga do Nordeste de Amaralina tem como ícone a rainha do Ndongo, atual Angola, Nzinga Mbandi (1582-1663). Símbolo da resistência africana à colonização, Nzinga entrou para a história como combatente destemida, exímia estrategista militar e diplomata astuciosa. Ela chefiou, pessoalmente, o exército até seus 73 anos e era tão respeitada pelos portugueses que a Angola só foi dominada depois da sua morte, aos 81 anos. Nzinga nasceu entre os africanos de língua bantu, os mesmos que, escravizados no Brasil, criaram o samba e a capoeira. Para Andreia Macedo, “a história de resistência de Nzinga deve ser referência para as mulheres negras do Nordeste de Amaralina, que lutam diariamente pela sobrevivência, pelo empoderamento e criação dos filhos”.