LGBT: onde a consciência negra vale o dobro

Comportamento, Social
20 de novembro de 2017
por Genilson Coutinho

A ativista Barbara Alves

Essa segunda-feira (20) é o Dia Nacional da Consciência Negra. Uma data que remete a um movimento de força histórica extremamente pulsante em Salvador, o que nos faz prever que será um dia de festas, protestos e grande reflexão dos homens e mulheres da cidade mais negra do Brasil.

Dado esse contexto, não há como não dar um passo adiante, na direção de uma reflexão sobre a situação de homens e mulheres que, além de negros, vivem nas periferias e acumulam as perdas sociais de serem lésbicas, gays, trans… enfim, a comunidade LGBT preta da grande Salvador.

Por isso conversarmos com as ativistas Tuka Perez e Barbara Alves, dois exemplos de mulheres que lutam contra o preconceito em dobro: orientação sexual e a cor da pele. Para Tuka, militante LGBT e assistente parlamentar, o caminho é lutar em dobro também.

Tuka Peres – Ativista

“Eu, uma mulher trans, negra e da periferia, e de cabelo louro, sofro em dobro, mas isso não tira a minha força de lutar por dias melhores. Todos os dias somos desafiados seja no trabalho e na própria comunidade, nas não perco nunca meus objetivos e vontade de mudar essa triste realidade de nós mulheres negras e da periferia”, conta.

A ativista Barbara Alves ressalta a necessidade de criar estratégias de promoção da inclusão social por meio da arte e dessa agenda de datas em Salvador. Segundo ela, é nesses momentos que o movimento ganha voz para atingir as grandes massas.

“Pelo momento que estamos vivendo acho que temos que lutar de forma estratégica e essa agenda de festas deve ser feita com essa intenção: atrair a sociedade para lutar. Fico feliz ao escutar manifestos de artistas, como o ilê levando uma mensagem de paz na concha acústica, dando um ‘não’ ao preconceito. Isso é importante demais”, celebra.

E Bárbara completa com um chamado à comunidade. “Assim como as paradas LGBT devem serem vistas como espaços de luta, as mulheres, principalmente as negras lésbicas, estamos em um momento de sair dos nossos locais de conforto e entrar em ação”.