Jovem trans que entrou em coma após aplicação de silicone industrial deixa UTI

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13 de dezembro de 2017
por Genilson Coutinho

(Foto: Arquivo pessoal)

G1

A transexual que entrou em coma após aplicação de silicone industrial em parte do corpo deixou a UTI do Hospital de Base em Bauru (SP) e segue em tratamento no leito clínico, na enfermaria da unidade. Segundo o boletim médico divulgado nesta terça-feira (12), o estado de saúde de Renatta Velask, de 19 anos, é estável clinicamente.

A irmã da jovem, Amylee Velask, que também é transexual e vive em Portugal, contou que apesar da melhora no estado de Renatta, ela não está conversando e segue em estado de coma.

 Renatta está internada desde o último dia 16 de outubro no Hospital de Base devido às complicações causadas pela aplicação do produto no corpo. Antes disso, ela procurou atendimento na Santa Casa de Lins, cidade onde mora, mas devido a gravidade do caso foi transferida para Bauru. No dia 4 de dezembro, ela teve uma parada cardíaca e entrou em coma.

De acordo com os médicos, a parada foi em consequência às infecções provocadas pela infiltração do silicone nos tecidos e músculos. E desde o dia que ela deu entrada no hospital, os médicos tentam retirar o produto do corpo dela.

Entenda o caso

Renatta mora em Lins e a aplicação foi feita na casa dela. De acordo com a mãe, que prefere ter a identidade preservada, as dores da filha começaram dias depois que a substância foi injetada por um conhecido da jovem, que mora em Belém (PA).

Ainda conforme a mulher, a filha e o rapaz que fez a aplicação do silicone industrial se conheceram em Portugal e mantinham contato pelas redes sociais. “Logo no início da aplicação, começou a queimar. No outro dia, amanheceu com ferida. Ela foi levada para a Santa Casa de Lins, fez cirurgia para remover, depois veio para Bauru, onde passou por outras quatro cirurgias”, relata a mãe.

A jovem comprou o silicone industrial pela internet e pagou a passagem de avião para o homem que fez a aplicação da substância nas nádegas dela, informou a mãe.

Ainda segundo a família, essa não foi a primeira vez que a jovem teve silicone industrial aplicado no corpo. Antes, ela já tinha feito outras duas aplicações, nas pernas e nos quadris. Dessa vez, o homem que fez a aplicação usou uma marca diferente da que tinha utilizado anteriormente. A mãe conta que aconselhou a filha a não usar o produto.

O silicone industrial aplicado em Renatta é usado para lubrificar peças de veículos. A substância é proibida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e Ministério da Saúde para fins médicos. A aplicação do produto para este fim é crime com pena de dois a oito anos de prisão.

A família registrou boletim de ocorrência no dia 5 de dezembro e o caso é investigado pela Polícia Civil, mas ninguém foi preso. A reportagem da TV TEM e o G1 tentaram contato por telefone com o rapaz que fez a aplicação, mas ele não atendeu as ligações e nem respondeu às mensagens.