Johnson & Johnson propõe parceria sobre Aids/HIV com o mandato Jean Wyllys

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15 de outubro de 2015
por Genilson Coutinho

Objetivo é construir estratégias para melhorar o atendimento e as políticas que afetam pacientes HIV positivo, especialmente de perfil vulnerável do ponto de vista do gênero.

Apesar das articulações conservadoras que dominam a atividade legislativa na Câmara dos Deputados nesta 55ª Legislatura e que vêm causando prejuízos em diversas discussões, o mandato do deputado Jean Wyllys (PSOL/RJ) goza do reconhecimento de manter-se à frente em assuntos vitais para a sociedade. Um deles é a vigilância na questão do tratamento dos pacientes vulneráveis de Aids / HIV e a manutenção do atendimento público e gratuito de qualidade por parte do governo federal.

Esses dois aspectos foram ressaltados na reunião que o vice-líder do PSOL na Câmara teve com Juliana Dal Pino, assessora para assuntos governamentais da Johnson & Johnson; Ricardo Loureiro, diretor da área de HIV da Janssen, divisão farmacêutica da Johnson & Johnson; e Caroline Bruggemann, representando a Patri Políticas Públicas. A Johnson & Johnson tem no Brasil o seu maior complexo industrial, em São José dos Campos (SP), com 15 fábricas e 30 mil funcionários que produzem medicamentos, tecnologia e produtos diversos para 31 países.

“As pessoas que estão morrendo de Aids são pobres, sem acesso à informação. Muitas se descobrem doentes quando chegam ao hospital por conta de sintomas de sífilis ou tuberculose, ou outras doenças relacionadas. O estigma é muito forte naqueles casos em que o paciente homem é obrigado a ‘sair do armário’ ou, por exemplo, nas transexuais femininas que são expulsas de comunidades e favelas”, comentou Jean Wyllys, que convidou a equipe para uma visita ao Hospital Gaffrée Guinle, no Rio de Janeiro, onde o deputado é professor no curso de pós-graduação lato sensu em HIV/Aids e Hepatites Virais.

Os representantes da Johnson explicaram as iniciativas que a empresa vem desenvolvendo para melhorar a conscientização sobre o problema com foco na população feminina, incluindo as mulheres trans e travestis, mais vulneráveis. Entre elas, a proposição de estratégias de melhoria do atendimento dos pacientes no âmbito da saúde pública feita a agentes do poder público. “Semana passada nós fizemos em São Paulo um evento para 120 pessoas, entre farmacêuticos, enfermeiros e psicólogos que trabalham com HIV no Brasil, entre outros profissionais ligados aos programas de prevenção, para falar sobre adesão ao tratamento”, afirmou Loureiro.

Juliana Dal Pino destacou que um estudo apresentado por um especialista sul-africano convidado para o evento evidenciou que o abandono de tratamento, a queda de adesão está relacionada com o aumento do custo de tratamento para o sistema de saúde com a hospitalização dos pacientes. “Falar de adesão não é simplesmente falar de aspectos clínicos ou tecnológicos, é preciso outra estratégia mais ampla, é importante fazer a dimensão do humano, de empoderamento dos pacientes e reconhecimento das vulnerabilidades. Nós viemos agora há pouco do gabinete do deputado Paulo Teixeira e a assessoria dele destacou como foi importante a sua entrada, do seu mandato, para reacender o trabalho da Frente Parlamentar Mista de Enfrentamento às DST/HIV/Aids. Para nós, como população, como cidadãos, isso é evidente”, declarou.