Jogador chama Cristiano Ronaldo de ‘bicha’ e é acusado de homofobia

Comportamento, Social
22 de novembro de 2016
por Genilson Coutinho

Agência EFE

A Acrópoli (associação de Madri que luta pelos direitos do público LGBT) escreveu nesta segunda-feira à Liga de Futebol Profissional (LFP), que comanda o Campeonato Espanhol, para exigir uma investigação diante dos supostos “insultos homofóbicos” que Cristiano Ronaldo teria sofrido no sábado.

A associação pediu que a entidade elabore um relatório e o mande à Comissão Antiviolência para poder confirmar estes insultos.

Em uma nota à imprensa, a Acrópoli se remete a uma informação da rádio Cope que assegura que o português foi insultado com o grito de ‘maricón’ (bicha, em português), supostamente proferido por Koke, durante o clássico entre Atlético de Madri e Real Madrid no estádio Vicente Calderón.

Ainda de acordo com a rádio, o astro respondeu ironizando o adversário: “Koke me chamou de bicha, e eu respondi: ‘um bicha, mas cheio de grana, canalha.'”

Depois de terem se desentendido, Koke e Cristiano Ronaldo foram punidos com o cartão amarelo aos 18min do segundo tempo.

A associação transmitiu “todo seu carinho e apoio ao jogador” madridista e confia que, se forem comprovados os fatos, Koke possa ser sancionado.

“O jogador do Real Madrid Cristiano Ronaldo tem sofrido um assédio homofóbico em diferentes campos de futebol durante a realização de partidas da liga, diante da impunidade dos responsáveis dos estádios”, afirmou a associação.

Segundo Acrópoli, isso viola a Lei 19/2007, de 11 de julho, contra a violência, o racismo, a xenofobia e a i intolerância no esporte.

“A situação não pode continuar. Nem futebolistas, nem clubes parece que dão importância a um fenômeno que fomenta os delitos de ódio contra o público LGBT e causa dano na dignidade de qualquer futebolista que não seja visto como heterossexual pelas torcidas”, disse.

O coordenador da Acrópoli, Yago Blando, reclamou por “maior envolvimento de clubes, da LFP e da RFEF (Real Federação Espanhola de Futebol) para acabar com a situação de impunidade diante da homofobia presente nos campos de futebol e que leva para que este esporte continue sendo um dos espaços menos seguros para quem não seja ou não seja visto como heterossexual, diante do silêncio de todos, instituições e companheiros.”