Índia ganha primeira editora de temática homossexual

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23 de julho de 2012
por Genilson Coutinho

Os homossexuais da índia estão assistindo à queda de mais uma barreira rumo a sua total aceitação, com a criação da primeira editora indiana focada na literatura gay, a queer ink, que lançará seu primeiro título no final deste mês.

Por trás do fenômeno queer ink está a pioneira ´shobhna s. kumar` (foto) que, com 45 anos, é uma das ativistas indianas mais destacadas na luta pelos direitos da comunidade lgtb (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros).

a queer ink surgiu como uma livraria virtual voltada ao público gay do gigante asiático e, após dois anos em funcionamento e um catálogo de mais de 500 livros – 90 deles escritos por autores indianos -, sua criadora se lançou no mercado editorial.

“publicar (literatura lgbt) é uma necessidade, pois sabe-se muito pouco sobre a índia gay”, explicou à “agência efe” shobhna, de mumbai, onde há dez anos se radicou, depois que decidiu abandonar fiji, sua terra natal, para voltar ao país de seus antepassados.

“nosso objetivo é dar maior visibilidade à comunidade gay e mostrar portanto, apesar do que alguns pensam, que os homossexuais são uma peça importante da índia”, ressaltou a ativista.

na índia os travestis (“hijra”) existem há séculos, inclusive nas zonas rurais, e popularmente acredita-se que possuam poderes mágicos – o que não evita que os homossexuais sejam atacados com frequência em uma sociedade eminentemente conservadora.

o primeiro livro publicado pelo editorial queer ink será “out!” (“fora!”), uma compilação de 30 relatos sobre “a nova índia gay” nascida com a descriminalização dos atos homossexuais pelos tribunais do país em julho de 2009.

essa descriminalização levou os escritores gays a ganhar confiança e liberdade ao publicar seus pontos de vista, declarou à agência indiana “ians anita roy”, da editora feminista ´zubaan`.

para ´divya dubey`, diretora da editora “gyaana” que falou à efe, a mudança fez com que publicar livros de temática homossexual se tornasse uma opção normal: ela mesma, por exemplo, decidiu publicar o livro “pink sheep” (“ovelha rosa”) , de ´mahesh natarajan`.

“para ser sincera, nunca o vi como um livro gay. o que torna essa obra especial é sua capacidade de transformar em algo comum o estilo de vida gay. não se trata do ”outro”, mas de gente como todos”, explicou divya.

pink sheep integra o catálogo da livraria virtual da queer ink, como vários títulos do “poeta gay da índia”, como é chamado ´hoshang Merchant`, ou de ´raj rao`, que em 2003 publicou o primeiro romance indiano de cunho homossexual.

também se destacam antologias como “close, too close” (“perto, perto demais”), na qual 15 escritores e artistas plásticos indianos “exploram livremente as ilimitadas possibilidades de gênero e sexualidade ao nosso redor”.

entre os nomes da obra coletiva está o desenhista ´anirban ghosh` com sua “arca de noé gay”, uma pintura que reúne de homens musculosos e fetichistas até um artista idoso de barba longa branca e lésbicas maduras de classe alta.

“trata-se de uma obra em preto e branco que chamei a arca erótica, em que se encontram vários membros da comunidade homossexual e tenta ser o mais inclusiva possível”, contou ghosh à efe.

segundo a editora shobhna, a queer ink recebeu “um grande número de manuscritos e muitos escritores procuraram a editora, interessados em publicar”, demonstrando que o nicho editorial indiano gay deve continuar crescendo.

Fonte: Fórum Baiano LGBT