Homofobia. De quem é o problema?

Sem categoria
19 de março de 2012
por Genilson Coutinho

O começo desta semana trouxe uma notícia um pouco alarmante para a comunidade de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) de Salvador. Um casal de gays foi agredido fisicamente na Estação Pirajá no sábado passado (10), e um deles precisou de atendimento médico dado a gravidade do ataque. Dois dias depois, o casal estampava a capa de vários jornais baianos e também a página principal do G1. Quando eu vi a repercussão do caso, eu pensei: afinal, de quem é o problema da homofobia?

No primeiro semestre de 2010, a novela Insensato Coração mostrou os casos de homofobia no Rio de Janeiro de forma extremamente real. Nesta última semana, nós conseguimos ver as consequências da homofobia em Salvador também de forma real. Isso aconteceu não porque Salvador é livre da homofobia, até mesmo porque a Bahia apresenta níveis altíssimos de violência contra a população LGBT, mas porque o ataque ao casal apareceu em todos os veículos de informação e tomou uma proporção nacional. Esse destaque mostrou que Salvador não é apenas a cidade do carnaval.

Outro problema foi revelado com o ataque, o descaso com o tratamento aos crimes contra os gays nas instituições públicas. O casal precisou ir a três delegacias para registrar a queixa e gerar o boletim de ocorrência. Nas duas primeiras delegacias, os funcionários apresentaram motivos para que o B.O. não fosse processado, somente na terceira é que o casal conseguiu prestar queixa. O crime aconteceu no sábado, mas o casal só conseguiu ser ouvido extensamente na terça-feira (13).

O questionamento que marcou essa semana foi a de como nós podemos mudar esse quadro crítico de violência que já virou rotineira no nosso estado. Será que através de leis (como o Projeto de Lei da Câmara 122/2006 que já transitou tantas vezes nas mesas de Brasília), de uma educação coletiva (como os kits anti-homofobia do MEC), ou de uma conscientização na educação familiar, poderemos mudar a situação? Eu creio que toda a formação de preconceitos acontece primeiramente nos lares e por isso os pais precisam pregar a tolerância e respeito. Dessa forma as crianças crescerão conscientes da diversidade dos indivíduos, e aprenderão a conviver pacificamente.

Enquanto isso o casal espera que a justiça seja feita e que pelo menos os envolvidos no caso recebam a justa consequência dos seus atos. Nenhum dos agressores foi preso até agora.

Por

Bira Vidal – Jornalista

Jornalista formado pela Cameron University no estado de Oklahoma, Estados Unidos. Apaixonado por comunicação política, decidiu voltar ao Brasil para se dedicar ao Direito, onde atualmente cursa na Universidade Federal da Bahia. Fascinado por artes e culturas, passa maior parte do tempo entre filmes, livros e música brasileiros e estrangeiros. Pretende se aprofundar nos instrumentos da comunicação usados na política, e vice-versa.