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Homem trans é atacado por padrasto com golpe de facão em Aracaju

Genilson Coutinho,
13/07/2021 | 08h07
Foto: Arquivo pessoaç

O dia 3 de julho foi de violência para o homem trans Luan Brandão, de 27 anos, que recebeu diversos golpes de facão, nas mãos e no rosto, deferidos pelo padrasto da vítima, que neste momento está preso. De acordo com o relato de Luan, a transfobia dentro de casa já tinha se transformado em uma rotina, e o fez sair de casa várias vezes, em razão da família não aceitar e não respeitar a sua identidade de gênero . Além da violência física, o assédio também sempre esteve presente, mesmo com as denúncias do jovem para a famílias, que nunca acreditou.
Diante desta violencia, o jovem usou sua conta para denunciar o ataque que sofeu, e criou uma vakinha para ajudar na compra de medicamentos para o tratamentos dos ferimentos, que não são poucos . Outro medo de Luan é a libertação do padrasto a qualquer momento. Pois ele está na casa dos pais e está com medo de sofrer outra tentativa de assassinato, pois diante do ocorrido, se o jovem não conseguisse fugir, seria mais uma vitima da transforbia no Brasil.
A nossa redação já encaminhou o caso para RENOSP-LGBTI+ é a livre associação de agentes LGBTI+ que trabalham nas diversas instituições de segurança pública no Brasil de Aracaju para conhecimento e para fazer contato com Luan.

Foto: Arquivo Pessoal


Abaixo o relato e denúncia dele :
Oi, me Chamo Luan, tenho 27 anos e sou homem trans. É com muita dor tanto física quando emocional que relato o que aconteceu comigo.
Por muitos anos morei com minha família e o monstro do meu padrasto. Tantas vezes eu avisei e ninguém me ouvia. Ele me ameaça de todas as formas, me espiava tomar banho, mas ninguém me ouvia quando eu falava.
Sempre fui considerada a mais “errada” da família, por ser trans e por não ser da igreja , como todos da minha casa supostamente são. O fato de ser homem trans pesava muito no clima dentro de casa. Perdi as contas de quantas vezes tive que sair de casa… morei de favor, fome, frio, medo, tantas coisas ruins já me aconteceram, que eu passaria horas contando.
No dia 03/07/21, a ameaça se tornou real. Fui golpeado pelo meu padrasto, no rosto e na mão com um facão. Corri ensanguentado, sem saber pra onde ir, querendo socorro. Fui hospitalizado, peguei vários pontos no rosto e na mão. Não consigo mexer dois dedos da mão. Parece um pesadelo.
Hoje ele se encontra preso, mas temo pela saída dele, tenho medo do que pode acontecer depois. O Brasil é o país que mais mata LGBTQIA+ do mundo e por pouco eu não seria mais uma vítima da homofobia.

Fiz uma vakinha online para me ajudar nas consultas e medicamentos. Obrigado pela sua atenção!