Gloria Maria é a nova Embaixadora de Boa Vontade da UNAIDS

AIDS em pauta, Notícias
31 de maio de 2017
por Genilson Coutinho

O casal Tuy e Biel, do canal SensualiseMoi, dividiu o palco com Glória Maria durante o evento #EseFosseComVocê?. Foto: Flow Cinema/UNAIDS Brasil

Youtubers, influenciadores e ativistas virtuais se reuniram em São Paulo na última terça-feira para participar de conversas inspiradoras sobre temas relevantes para a resposta à epidemia de HIV, como estigma e discriminação, juventude, universo gay e direitos. Moderados pela jornalista Glória Maria, os debates aconteceram na sala Cultura Inglesa (Duke of York Auditorium), no Centro Brasileiro Britânico, na capital paulista.

Realizado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) em parceria com a Embaixada do Reino Unido, e o encontro contou também com o apoio de Ogilvy, Hornet e Cultura Inglesa.  Além dos debates, o evento foi  marcado pela nomeação da jornalista Glória Maria como Embaixadora de Boa Vontade do UNAIDS e por um show da cantora Wanessa Camargo, também Embaixadora de Boa Vontade do UNAIDS. Durante o show, Wanessa fez dueto com o jovem cantor e ator HIV positivo Gabriel Estrela para homenagear o cantor e compositor Cazuza—um dosícones da luta contra a AIDS no Brasil nos anos 1980.

“Nosso objetivo é promover conectar pessoas e promover o debate sobre HIV  além do  ponto de vista da ciência, da saúde e da gestão pública e, por isso, nossa ideia foi provocar um debate de cunho mais social, envolvendo a juventude, a cultura digital, o universo dos jovens gays e a questão de direitos”, explica Georgiana Braga-Orillard, Diretora do UNAIDS no Brasil. “O desafio foi exatamente o de falar de HIV sem ter especialistas no tema e, ao mesmo tempo, mostrar a responsabilidade da sociedade como um todo em relação ao HIV, para alcançarmos o fim da epidemia até 2030.”

Os jovens youtubers e educadores sexuais Tuy Potasso e Biel Vaz, do canal Sensualise Moi, foram os mestres de cerimônia do evento. Ao longo da noite, eles conduziram as passagens entre os blocos de conversas compartilhando suas experiências no canal do Youtube, trazendo também à plateia informações relevantes sobre estigma, discriminação e o crescimento da epidemia de HIV entre jovens. “Eu e Biel somos casados e ao mesmo tempo pessoas bissexuais e vivemos um poliamor. E é assim que nos identificamos e é assim que gostamos de viver nossa sexualidade. E isso não deveria ficar estampado em nossas testas como algo ruim”, disse Tuy durante o evento. “Somos felizes assim. Pare e reflita: e se fosse com você?”

Uma das estatísticas apresentadas foi a de crescimento das taxas de detecção de casos de AIDS entre jovens do sexo masculino na última década. Segundo dados do Ministério da Saúde,  eles quase triplicaram entre jovens de 15 e 19 anos, e mais de dobraram entre os de 20 a 24 anos. “Quanto mais a gente falar sobre HIV e sobre AIDS,  quanto mais a gente se informar, melhor vai ser a vivência da nossa sexualidade”, disse Biel.

Youtubers e a juventude conectada

O primeiro bloco de conversas teve como tema central a juventude conectada via Youtube e outras redes sociais. Para isso, foram convidados jovens gays que atuam como criadores de conteúdo nas redes e que falam abertamente sobre prevenção e HIV.  Participaram da conversa Gabriel Estrela (Projeto Boa Sorte), Daniel Fernandes (Prosa Positiva), Gabriel Comicholi (Hdiário)—três youtubers que vivem com HIV e falam abertamente sobre o tema—e Murilo Araújo (Muro Pequeno) —cujo canal no Youtube debate sobre sua vivência como jovem gay, negro e cristão em tempos de intolerância.

“Meninos, o youtube é um lugar bem descontraído onde a moçada se diverte, mas também se informa muito. E vocês estão usando esse formato e essa linguagem leve para falar de assuntos muito importantes e, muitas vezes, bem complexos”, disse Glória Maria. “Parabéns pela coragem de falarem abertamente sobre esses temas.”

Glória Maria e youtubers se reúnem ao final do bloco para uma selfie. Foto: Flow Cinema/UNAIDS Brasil

Prevenção ao HIV nos diferentes universos da comunidade gay

O segundo bloco de debates foi marcado pelo encontro de representantes de diferentes universos da comunidade gay. Gays e outros homens que fazem sexo com homens são uma das populações-chave mais afetadas pelo crescimento da epidemia de HIV na última década. Estigmatizada no início da epidemia, essa população se reinventa, se reforça, quebra barreiras e constrói pontes para lidar com o HIV e as questões da sexualidade de forma mais aberta, madura e pragmática.

Participaram do debate: Bruno Motta, criador do bloco de carnaval Boca de Veludo; Fernando Scarpi, responsável pelo festival gay de música eletrônica Hell & Heaven; André Fischer, diretor do aplicativo de relacionamentos Hornet no Brasil; Fuh Miguel, responsável pela família D’Mattah—um dos coletivos da iniciativa Consulado das Famílias—; e Matheus Emílio, jovem liderança vivendo com HIV e criador da página Menino Gay, no Facebook.

O tema do terceiro bloco foi HIV e direitos. Foto: Flow Cinema/ UNAIDS Brasil

Direitos e HIV

O terceiro bloco de conversas foi focado em um debate mais amplo sobre direitos e o HIV. Foram discutidas questões como o arcabouço legal e seu alcance para populações com maior probabilidade de exposição ao HIV, bem como os desafios para a superação de barreiras impostas pelo preconceito e a discriminação em nossa sociedade. Entre os debatedores estiveram Wasim Mir, Ministro Conselheiro da Embaixada do Reino Unido; Professor Conrado Hubner Mendes, da Faculdade de Direito da USP; a Professora Doutora Jaqueline Gomes de Jesus, professora do Instituto Federal do Rio de Janeiro; e Nathan Fernandes, Editor da Revista Galileu.

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Georgiana Braga-Orillard, Diretora do UNAIDS no Brasil, entregou o certificado de Embaixadora de Boa Vontade a Glória Maria. Foto: Flow Cinema/UNAIDS Brasil

“Nós nos esquecemos que cada geração e cada grupo populacional tem suas próprias referências. E que, quando se trata de uma epidemia, precisamos continuar renovando as mensagens, adaptando a cada grupo e a cada geração”, afirma a Diretora do UNAIDS no Brasil. “Quebramos o protocolo. Trouxemos aqui profissionais de saúde, agências da ONU, gestores públicos, representantes de governo, mas nenhum desses setores esteve representado no palco. Nenhuma das pessoas no palco é especialista em HIV. Reservamos espaço para outro lado. Onde o indivíduo está inserido, para entendermos mais sobre a responsabilidade da sociedade como um todo. Queremos colocar setores diferentes para conversar, para inspirar e para nos tirar de nossas zonas de conforto. Não temos nenhuma resposta. Queremos que levem daqui a pergunta: E se fosse com você?”

Assista aqui como foi o encontro :