GGC e GGB destacam papel de Delegada e edificam monumento em memória das vítimas LGBT e confundidos.

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29 de junho de 2012
por Genilson Coutinho

O Grupo Gay de Camaçari (GGC) e o Grupo Gay da Bahia (GGB) destacam atuação rápida, corajosa e enérgica da delegada de Polícia Civil Maria Tereza titular da Delegacia de Homicídios de Camaçari no processo que identificou a maior parte dos acusados pelo assassinato do jovem José Leonardo, 22 anos, após caminhar abraçado com o seu irmão gêmeo vindo de uma festa realizada no Espaço de Eventos Camaforró, nesta cidade, ambos foram abordados por um grupo de dez homens jovens, espancados e José Leonardo não suportando a brutalidade da violência acabou morrendo no local ao lodo do seu irmão que nasceram juntos e por um ato covarde de homofobia cultural por pouco não morreriam juntos.

O Assistente Social e presidente do GGC Paulo Paixão acredita que se não fosse a delegada ser uma oficial cuidadosa e já sensibilizada para identificar esse tipo de violência homofobica o caso não estaria praticamente resolvido de forma ágil. “A impunidade faz com que novos crimes aconteçam. A delegada foi corajosa na qualificação e por conta dessa ação rápida o crime não vai cair na impunidade” declarou Paulo Paixão indicando que é preciso o esforço coletivo para combater a homofobia cultural da sociedade. Opinião partilhada pelo professor Marcelo Cerqueira que aponta essa prática como uma ameaça aos valores democráticos. “A homofobia é uma praga que deve ser combatida no dia-a-dia por homens e mulheres” disse e ainda em relação ao caso é contundente em afirmar. “Eles não se conheciam, não tinham nenhum histórico de brigas anteriores, foram agredidos, chamados de mulherzinha pelo fato de estar abraçado com o seu outro irmão”, conclui Cerqueira considerando estes como elementos reveladores da homofobia cultural.

O crime ocorreu na madrugada de domingo para segunda-feira e no dia seguinte as duas entidades já se manifestaram cobrando das autoridades resolução e em menos de 24h os autores já haviam sido encontrados pela Polícia Civil. Na segunda-feira o presidente do Grupo Gay da Bahia, Marcelo Cerqueira comunicou o caso a Deputada Estadual Luiza Maia que também se empenhou na elucidação e fez pronunciamento na Assembléia Legislativa da Bahia. De acordo com as entidades essa violência que em tese deveria ser destinada aos LGBT, mas acabou vitimando outra categoria de gênero não deve ser esquecida. Pensando assim os gays irão edificar monumento em lembrança a memória da vítima e de todos mortos estimulados pela homofobia que no Brasil este ano já chegam a 161 e na Bahia 14 assassinatos, recentemente 2 em Camaçari e 1 em Madre de Deus que vitimou o coreografo Antônio Jorge Ferreira, 37 anos.  O monumento a ser edificado pelos gays terá forma de triângulo na cor rosa, insigne usada pelos homossexuais nos campos de concentração da antiga Alemanha Nazista, símbolo reabilitado de forma positiva pelos LGBT de todo o mundo.

A cerimônia promovida pelas duas entidades acontece ás 15h dessa quinta-feira próxima na Avenida Leste, próximo a saída do Espaço Camaçari 2000 local onde a vítima foi abatida. O GGC e o GGB convidam políticos, ativistas e famílias que perderam familiares em situações de violência.

Por Marcelo Cerqueira