Gerente de boate LGBT é agredido ao pedir ajuda após assalto

Notícias
16 de janeiro de 2017
por Genilson Coutinho

Rodrigo Ambrogi, de 19 anos, foi espancado até desmaiar após pedir ajuda para um motorista

Estadão Conteúdo

Após ser vítima de um assalto na manhã deste domingo, 15, no centro de São Paulo, o gerente de uma boate LGBT Rodrigo Ambrogi, de 19 anos, correu atrás de um dos ladrões, conseguiu imobilizá-lo e pediu ajuda a um homem que saía da garagem de um prédio na Bela Vista. Segundo conta, o rapaz, que aparenta ter 30 anos, desceu do carro e o espancou até ele desmaiar. “Não quero gay brigando na frente da minha casa”, teria dito o agressor à vítima.

Gerente de uma boate LGBT na Rua Peixoto Gomide, Ambrogi costuma ir comer um cachorro-quente por volta das 5 horas, pouco antes de fechar o estabelecimento. Fez o mesmo na manhã deste domingo, mas acabou abordado por um grupo que, segundo conta, roubou seu celular. “Quatro caras me assaltaram, esvaziaram meu bolso”, diz.

Cercado, Ambrogi chegou a ser agredido pelos assaltantes. Após perceber que a vítima apresentava feridas no rosto, um grupo de jovens que saía da boate cercou os suspeitos e ligou para a Polícia Militar. “Tentamos esperar lá, mas um dos rapazes saiu correndo e Rodrigo foi atrás dele”, relata uma testemunha, o estudante Kaique Santos, de 19 anos, que também saiu em disparada.

Ambrogi conseguiu deter o suspeito na esquina da Rua Herculano de Freitas com a São Miguel, próximo ao Shopping Frei Caneca. Eram 5h20. Nesse momento, um carro branco saía de um prédio da região, ocupado por um homem, uma mulher e um rapaz. O gerente afirma que tentou pedir ajuda. “O cara simplesmente colocou o carro mais para frente, saiu e começou a socar o meu rosto. Eu desmaiei e não lembro de mais de nada”, conta.

“Vocês estão fazendo muito barulho a essa hora”, teria dito o homem assim que desceu do veículo, segundo conta a testemunha Santos. “Ele deu uns tapas no assaltante e depois saiu batendo no rosto do Rodrigo”, relata. “Ele me ameaçou, mas como eu recuei, não fez nada comigo.” Em meio a confusão, o suspeito do roubo fugiu.

“O homem só parou quando o Rodrigo apagou. Pelo que disseram, a moça que estava no carro dizendo que ‘já estava bom’ e pedindo para ele parar”, diz a prima da vítima, Dayane Ambrogi Eguthi, de 28 anos. Desacordado, Ambrogi foi socorrido por um segurança da boate, que o levou ao Hospital Santa Casa, também no centro. A vítima sofreu fratura no nariz, ficou com hematomas pelo corpo e recebeu alta nesta tarde.

Familiares da vítima foram até o local e conseguiram levantar imagens de câmeras de segurança. Testemunhas reconheceram o agressor como sendo um homem forte e de barba, que usava uma camiseta e um boné. O caso foi apresentado no 2º Distrito Policial (Bom Retiro).

Ato

Ativistas LGBT marcaram uma manifestação para a tarde desta segunda-feira, 16, na Estação Pedro II, onde o ambulante Luis Carlos Ruas, de 54 anos, foi assassinado após defender duas travestis. Marcado para as 13h, o ato também será em memória de Itaberlly Lozano, jovem gay de 17 anos, morto pela mãe em Cravinhos, no interior de São Paulo. Ele teve o corpo carbonizado pelo padrasto.

Em novembro do ano passado, o jornal O Estado de S. Paulo revelou que uma média de 98 crimes de homofobia são registrados a cada mês em São Paulo. Os dados foram reunidos pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) a partir de novembro de 2015, quando passou a ser obrigatório notificar se a ocorrência envolvia algum tipo de intolerância.