Folheto de igreja católica pede enfrentamento à ‘ofensiva homofóbica’

Comportamento, Social
24 de junho de 2015
por Genilson Coutinho

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Um folheto de missa distribuído na paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Itaquera, São Paulo, tem causado comoção nas redes sociais. Distribuído no último domingo, a parte dedicada à oração dos fiéis trazia um trecho em que pedia que “a ofensiva homofóbica, fundamentalista e histérica presente no Congresso Nacional seja enfrentada com ousadia e serenidade pelo ascenso das causas libertárias”.

O texto dizia ainda “para que o diálogo sobre sexualidades leve as Igrejas cristãs a superar a demonização das relações afetivas; suplicamos. Para que cesse no Brasil a criminalidade sexual, e a todas as pessoas sejam garantidos os direitos quanto à orientação da sua própria sexualidade; suplicamos”.

A oração foi feita como parte da programação do septenário dominical “As provocações da vida e as respostas da fé”, que promove vários debates na paróquia ao longo dos domingos de maio a junho.

A ideia é que autoridades e representantes da sociedade façam apresentações e palestras sobre temas como política e movimentos sociais. No domingo passado, o tema era “Igreja e Sexualidade — um diálogo necessário”, que foi apresentado pelo padre Luís Corrêa Lima, do Rio de Janeiro.

Por trás da iniciativa está o padre Paulo Sérgio Bezerra, que celebrou a missa. Segundo ele, esse é um debate que está na pauta do dia e não pode ser ignorado pelas igrejas.

– O próprio Papa Francisco desencadeou a oportunidade de falarmos livremente sobre isso em seus posicionamentos. A intolerância religiosa faz mal para qualquer pessoa. Então, acho muito importante discutir esse assunto – justifica.

Segundo padre Paulo, apesar de algumas críticas nas redes sociais, ao final da missa, foram só elogios:

– Várias pessoas vieram nos cumprimentar. Quem estava na missa ficou maravilhado.

Para ele, a Igreja tem muita força para combater os males do preconceito:

– A Igreja tem que ter coragem de falar. Ela já faz trabalhos bonitos e precisa comentar esse assunto. As religiões sérias precisam se organizar para combater esse fundamentalismo.

Do O Globo