Filme ‘O Animal Cordial’ por Filipe Harpo

Cinema, No Circuito
20 de agosto de 2018
por Genilson Coutinho

Filipe Harpo

De tempos em tempos, aparece um filme que vira o cinema nacional de cabeça pra baixo. Foi assim com Cidade de Deus (2002), Carlota Joaquina (1995), Dois Coelhos (2012), Os Matadores (1997). Filmes, que de alguma forma, despertam interesse do público, da crítica, remexem a “indústria” e na forma de fazer cinema. Essa revolução, se repete novamente com este O Animal Cordial.

Duvido que você tenha visto um filme tão visceral nos últimos anos. Duvido mesmo, caro leitor, ter assistido um suspense tão inesperado e ao mesmo tempo crítico. Esse Animal Cordial é bem escrito, bem executado, elenco afinado e definitivamente, por mais alto grau de vicio na 7° arte, ele vai te surpreender positivamente a cada cena, a cada take.

A história é simples. Em um restaurante em final de expediente, as relações entre patrão e empregados estão no limite, até uma dupla de assaltantes ascender a chama para todas as violências explodirem de vez e o lado sombrio de todos ali aparecer sem limites. Eu não posso contar nada, se não a experiência estraga. A única coisa a falar é: não espere deste mais um filme sobre assaltantes que fazem de refém pessoas inocentes, pois aqui ninguém é inocente. Esteja aberto a total violência, estética e psicológica.

O elenco é um caso à parte. Murilo Benício simplesmente entregue aos papel. Não tem como esperar o contrário dele. Luciana Paes, simplesmente brilhante. Aliás os dois trabalharam juntos em Avenida Brasil. Irandhir Santos, sempre fenomenal, nos entrega mais uma vez, intepretação de primeiríssima qualidade. Todos bem dirigidos pela cineasta Gabriela Amaral, curta metragista de mão cheia, todos falam dela e de seus pequenos filmes, agora esse burburinho ganha grandes proporções. Ela filma e dirige atores como mão firme. No cinema isso é raro! Muitos diretores são bons no domínio da cinematografia, mas nem tanto no manejo com atores. Nos cursos de cinema, há valor para tudo, menos a relação entre ator – cineasta. Tem diretor que se forma e nem leitura de mesa sabe fazer. Estou falando sério! Gabriela é um diamante em meio a um cenário catastrófico de relações…

Animal Cordial é imprevisível, sanguinário, visceral, bonito, crítico, com texto impecável, elenco conciso, enquadramentos PERFEITOS… a lista de adjetivos é grande. Da próxima vez, na hora de decidir o filme do fim de semana, dê chance a esta cineasta e sua obra prima. Nunca, na história deste país, um filme veio para surpreender tanto o espectador. Segure-se na poltrona! …

Filipe Harpo é diretor da SOUDESSA Cia de Teatro, historiador pela UNEB, realizador audiovisual pelo Projeto Cine Arts – UNEB – PROEX e apaixonado por cinema.