Feira no Pelô mescla rap, hip-hop, reggae, samba no Pelourinho

Música, No Circuito
19 de outubro de 2018
por Genilson Coutinho

A quarta edição da Feira de Empreendimentos Negros Solidários vai mesclar uma diversidade de ritmos musicais e a reunião de tribos culturais de vários cantos da cidade. Rap, hip-hop, samba, reggae, discotecagem, capoeira e poesia serão unidos para dar o tom multicultural do evento, que acontecerá nos dias 20 e 21 de outubro (neste sábado e domingo), entre 10h e 20h, na Praça Pastores da Noite, no final da Rua das Laranjeiras, no Pelourinho.

Os djs Pureza e Roger N Roll se revezarão no comando das pick ups, enquanto as bandas Dja Luz, O Terreiro, Banjolada, Samba Mafuane e Carcará levarão o melhor da música baiana para o público que tem lotado mensalmente a Feira de Empreendimentos Negros.

Os MC’s Danfacto, Haggar, Numb e Reverendo o grupo literário feminino Importuno Poético e o grupo cultural Bando Anunciador da Capoeira Angola de Rua, liderado por Mestre Lula, também estarão na programação. Vestuário, acessórios, música, dança, teatro, gastronomia, espaço para crianças e outras atrações também integrarão os dois dias da mostra a céu aberto.

A iniciativa é do Coletivo de Entidades Negras (CEN), financiada pelo Edital Bahia Década Afrodescendente, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado da Bahia (Sepromi), e tem o objetivo de apresentar para o público produtos de economia solidária idealizados por 30 empreendedores negros baianos.

Além de comercializar seus produtos em barracas estilizadas, os empreendedores também expõem as obras para turistas e baianos na Loja Colaborativa do CEN, localizada no casarão número 25 da Rua das Laranjeiras, no Pelourinho. O espaço de comercialização funciona diariamente, das 9h às 18h, no andar térreo do mesmo prédio, onde fica sede do CEN.

Projeto
Financiado pela Sepromi, a Feira de Empreendimentos Negros Solidários tem apoio da Rede Bahia, da empresas Threeng Criativa e Hora Brito Arquitetura, da incubadora de projetos Salvador Meu Amor, da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia (UFBA), do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) e do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), órgão da Secretaria da Cultura da Bahia (Secult-BA).

A iniciativa é destinada prioritariamente a jovens e mulheres, grupos representam 76% e 52% dos empreendimentos selecionados, respectivamente. Durante o período do projeto, eles passam workshops sobre temas relativos aos três eixos da Década Estadual de Afrodescendentes e sobre empreendedorismo e administração, com formação técnica para que cada microprodutor leve à frente seus negócios.

As Feiras de Empreendimentos Negros Solidários foram pensadas respeitando as tradições afro-brasileiras, sem perder de vista o olhar transgeracional e o recorte de gênero e raça que são exigidos para se debruçar sobre a sociedade brasileira.
A reunião de elementos culturais, estéticos, urbanísticos, ancestrais e tradicionais sinaliza o quão rica é a cultura negra do Brasil e o quanto de dedicação e investimentos são necessários para diminuir o abismo das desigualdades raciais do País.

Esta proposta ganha ainda mais relevância socioeconômica a partir do momento que alinha uma estratégia de combate à pobreza, pautada nos princípios da economia solidária, com as políticas de gênero, de juventude, de promoção da igualdade racial e de desenvolvimento sustentável, contemplando negros, jovens, comunidades tradicionais e mulheres negras.