FDA suspende proibição para gays doarem sangue nos EUA

AIDS em pauta, Notícias
24 de dezembro de 2014
por Genilson Coutinho
Imagem de arquivo mostra coleta de sangue em centro de doação dos Estados Unidos (Foto: Erie Times-News, Jack Hanrahan/AP)

Imagem de arquivo mostra coleta de sangue em centro de doação dos Estados Unidos (Foto: Erie Times-News, Jack Hanrahan/AP)

Em uma decisão histórica, o órgão que regula alimentos e medicamentos nos EUA (FDA, na sigla em inglês), anunciou nessa terça-feira que colocará fim à proibição de décadas sobre a doação de sangue por homens gays e bissexuais. De acordo com especialistas, a iniciativa, pode aumentar o fornecimento anual de sangue em hospitais em até 4%.
A proibição foi estabelecida pelo FDA em 1983, no início da epidemia de aids. Na época, pouco se sabia sobre o vírus da imunodeficiência humana, que causa a doença, e não havia nenhum teste rápido que determinasse se alguém a tinha. A decisão anunciada nessa terça-feira pelo órgão o coloca em concordância com os avanços da ciência sobre a doença, mas ainda mantém a restrição a doadores que mantiveram relação sexual com outro homem nos últimos 12 meses.
Em um comunicado, a agência disse que “examinou e considerou cuidadosamente as evidências científicas” antes de mudar a política. O FDA afirmou que pretende emitir um projeto de orientação detalhando a mudança em 2015.
A mudança coloca os EUA em pé de igualdade com os países europeus, como a Grã-Bretanha, que ajustou a sua proibição vitalícia em favor de uma restrição de 12 meses em 2011.
A decisão foi saudada por defensores dos direitos humanos, que afirmaram que a proibição não se baseada nas evidências científicas mais recentes, e que perpetuava um estigma sobre os homens gays de um risco para a saúde do país. Especialistas em Direito disseram ainda que a mudança traz uma importante política nacional de saúde em linha com outros direitos legais e políticos, como permitir gay e as pessoas de se casar e de servir abertamente nas Forças Armadas.
“Esta é uma grande vitória para os direitos civis dos homossexuais”, disse I. Glenn Cohen, professor de Direito na Universidade de Harvard, que é especializado em bioética e saúde. “Estamos deixando para trás a antiga visão de que todo homem gay é uma fonte potencial de infecção.”
A mudança terá implicações de longo alcance para o fornecimento de sangue do país. O Instituto Williams da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, calculou que a mudança poderia adicionar cerca de 317 mil litros de sangue para o abastecimento do EUA por ano — o equivalente a um aumento de 2% a 4%.
De acordo com o Instituto Williams, cerca de 8,5% dos homens americanos — o equivalente a 10 milhões de pessoas — afirmam ter tido relações sexuais pelo menos uma vez com um homem desde que completaram 18 anos. A nova política, no entanto, ainda exclui 3,8% dos homens americanos que relatam ter tido um parceiro sexual masculino no último ano, um grupo que poderia dobrar o potencial da nova oferta de sangue, segundo o relatório da entidade.
Brasil
No Brasil, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), não podem doar sangue homens que tiveram relação sexual com outros homens nos últimos 12 meses. De acordo com a agência, essa prática envolve contatos sexuais que envolvem riscos de o indivíduo contrair infecções transmissíveis pelo sangue, como a aids.

Fonte : New York Times