Falta de acesso à saúde torna negras mais expostas ao vírus HIV, diz estudo

AIDS em pauta
22 de novembro de 2016
por Genilson Coutinho

As mulheres negras são as que mais sofrem com as Aids, segundo estatísticas do Sistema do Sistemas Público de Saúde de São Paulo. Entre as negras com o vírus, a taxa é de sete mortes contra três entre as brancas. Os negros têm menos acesso aos serviços de saúde e educação.

“Acreditamos que talvez haja mais barreiras para as pessoas pretas do que para as brancas para terem acesso a insumos de prevenção e aí estou falando de preservativos, testagem e assistência!, disse Eliana Gutierrez, coordenadora do programa de DST/Aids.

Pessoas que se autodeclaram pretas têm a taxa de diagnóstico do vírus HIV duas vezes maior do que entre os que se dizem brancos. A taxa de mortes entre a população negra chega a ser o dobro do que entre os brancos.

Micaela Cyrino, de 28 anos, nasceu com o vírus da Aids. Aos seis anos, sua mãe morreu. Ela não chegou a conhecer o pai. Atualmente, ela usa sua própria experiência para tentar diminuir o preconceito que sofre com a doença.

“As pessoas constroem culpa, constroem medo. Eu levo o HIV como ‘eu tenho uma deficiência imunológica”, então como eu posso tratar isso?”

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os negros têm menos acesso aos serviços de saúde e de educação.

“A saúde da população negra é deixada de lado como um reflexo do que a sociedade aplica para a população negra. Quem tem acesso apenas ao tratamento que o governo disponibiliza, não necessariamente vai ter um bom tratamento, porque a gente se depara com várias questões de falta de medicação, de falta de equipamento, de infraestrutura do hospital”, diz Micaela.

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