Faculdade Baiana promove ações afirmativas para pessoas trans

Comportamento, Social
4 de julho de 2017
por Genilson Coutinho

A Faculdade Baiana de Direito tem em seu DNA a promoção  da diversidade. A instituição incorporou em sua política uma série de ações e programas voltados para a promoção da diversidade de gênero e respeito à pessoa.  As ações envolvem professores e alunos, em diversos setores e áreas de atuação.

Tiago César, diretor administrativo da Faculdade destaca a importância dos projetos desenvolvidos. “Entendemos que é necessário adotar uma série de ações afirmativas no intuito de diminuir as desigualdades e ampliar oportunidades para grupos excluídos. O preconceito e a invisibilidade dados às pessoas trans precisam ser combatidos com urgência”, justifica.

De acordo com Tiago, o nome social foi uma porta de entrada para outras ações afirmativas. “Abrimos vagas de emprego em diversas áreas para pessoas trans, hoje estamos desenvolvendo um programa de treinamento para os funcionários e alunos, e incluímos o tema no plano pedagógico”, explica.

Na Administração, o setor de Recursos Humanos instituiu vagas de empregos especiais para pessoas trans, com atuação em diversos departamentos. Ainda no âmbito dos recursos humanos, a instituição promoveu um programa de treinamento desenvolvido e ministrado por professoras trans para os funcionários e professores. O programa conta, ainda, com uma cartilha que está prestes a ser lançada com ilustrações inéditas.

No plano institucional a Baiana passou a adotar o nome social nos atos administrativos e acadêmicos, após longa discussão com as instituições e a comunidade trans. Além disso, o Núcleo de Prática Jurídica, oferece atendimento jurídico gratuito para alteração de nome de registro civil para pessoas Trans.

Direito e Diversidade

Seguindo a linha de atuação, a diretoria acadêmica introduziu a disciplina Direito e Diversidade no plano pedagógico. Para além de incluir a disciplina na grade curricular da graduação, a faculdade possibilitou que alunos de outras instituições pudessem cursar a matéria, inclusive com vagas gratuitas para cotistas trans.

No ano passado a Baiana lançou um vídeo que chama atenção para a causa. O vídeo viralizou em todo Brasil obtendo mais de 80 mil visualizações no Facebook e YouTube em menos de 2 meses

Experiências Positivas  

Sellena Ramos e Pietro Akin, funcionários trans da instituição explicam sobre as dificuldades e conquistas. “Sou feliz por ser a primeira mulher trans a trabalhar na Baiana, por ser a primeira mulher trans a ser aprovada em Direito na instituição”, afirma Sellena. “Fiquei muito feliz pela conquista e pela instituição me respeitar, me chamar pelo nome”, completa.

Depois que passou a fazer parte da instituição, Sellena integrou um grupo de trabalho que criou um projeto de diálogo a comunidade acadêmica para que o próprio trans possa esclarecer questões relacionadas às questões de gênero.

Outra experiência positiva é viva pelo funcionário Pietro Akin. Para ele, demandas básicas, como a utilização de banheiro e do nome social, por exemplo, contribuem para que essas pessoas sejam excluídas. “Na Baiana não me sinto excluído. As políticas realizadas pela faculdade são de grande importância no processo de aceitação social, tanto dos alunos, quanto dos funcionários”, declara Akin.