Exposição “A Batalha do Corpo” faz reflexão sobre o HIV

AIDS em pauta, Notícias
7 de março de 2016
por Redação

A partir do dia 17 de março, no Centro Cultural São Paulo, a instalação artística “A Batalha do Corpo” estará aberta para a visitação do público.

As artistas visuais Juliana Curi e Maria Eugênia Cordero propõem uma experiência estética para informar, renovar, criar e sugerir novos caminhos de reflexão sobre a questão HIV e AIDS, tanto em termos da vivência individual como do ponto de vista social.

A inspiração artística na montagem final da obra vem do conceito dos penetráveis, que surgiu na década de 1970, com o objetivo de integrar o espectador ao espaço para que a obra seja vivenciada e não somente observada.

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A Batalha do Corpo (Foto: Divulgação)

A instalação foi construída em formato de labirinto, a partir de intervenções realizadas por um grupo de pessoas com alguma relação com o vírus HIV e a AIDS. São 15 metros de extensão, 6 metros largura e 3 metros de altura de tecido confeccionado com gaze hospitalar em vários tons de vermelho.

No espaço as criadoras propõem que, ao penetrar e percorrer a obra, o público se sinta imerso na experiência de quem vive com a doença, por isso a tendência é que, mais do que contemplar a obra, o visitante possa habitá-la, aprofundando assim as reflexões sobre arte, HIV, AIDS e vida.

“Para nós, a linguagem artística será o caminho que abrirá possibilidades de pensamentos e diálogos novos sobre o HIV e a AIDS”, diz Juliana Curi, uma das autoras do projeto-obra.

“É muito difícil falar de uma obra que se baseia na experiência de pessoas vivendo com HIV/AIDS sem propor que o público também possa compartilhar da experiência”, complementa Maria Eugênia Cordero, coautora da instalação.

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A Batalha do Corpo (Foto: Divulgação)

O projeto, o processo

Em quatro encontros, Juliana Curi e Maria Eugenia Cordero reuniram, no Ateliê 1120, mais de 30 colaboradores, todos com alguma relação com o vírus HIV e a AIDS. Com a coliderança da artista e ativista Micaela Cyrino, ativistas, médicos e pessoas que vivem com HIV receberam orientação sobre as possibilidades da arte têxtil e como usá-la como expressão da linguagem para então intervirem com suas reflexões no tecido.

“A AIDS tem impactos no organismo de um indivíduo, mas sabemos que ocorre prioritariamente em outros tecidos sociais”, afirma a psicóloga Juny Kraiczyk, diretora-executiva da Ecos – Comunicação e sexualidade, organização apoiadora do projeto.

Os participantes, como fruto da roda de conversa sobre o que é e o que significa “viver com HIV” nos dias de hoje, propõem novas tramas, telas, urdiduras, texturas, teias e redes no tecido – intervenções incorporadas ao projeto “A Batalha do Corpo”.

A proposta das artistas para promover estes encontros é criar a oportunidade de mergulharem todos, juntos, nesta “batalha” a partir do espaço artístico, para trabalhar e refletir coletivamente, fazendo com que novas e velhas conexões se fortaleçam e nasçam novos pensamentos e possibilidades de luta.

“O objetivo com as oficinas não era apenas criar uma obra que sofresse intervenção coletiva, mas que trouxesse, para dentro dela, experiências reais, e que, durante as oficinas, a arte possibilitasse o surgimento de novas formas e caminhos para essa troca de vivências”, conta Micaela, articuladora dos encontros.

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A Batalha do Corpo (Foto: Divulgação)

Quem são as artistas

Paulistana, Juliana Curi é artista visual, roteirista e diretora. Reside atualmente em Nova York, onde desenvolve projetos de fotografia, audiovisual, arte têxtil e instalações. Em 2010 ganhou o prêmio de incentivo do MinC como melhor roteirista estreante de longa-metragem de ficção com o projeto Meu Elvis. Em 2015 criou a série de bordado em plantas “Pink Intervention”, que participou da exposição sobre trabalhos manuais FIO na Galeria Sin Logo eSpotte Art New York.

Maria Eugênia Cordero, artista plástica e arte-educadora, criou (em 2013) e coordena desde então a residência artística “Barda del desierto” na cidade de Cordero, na Patagônia Argentina. Faz parte do grupo de estudos “Prácticas artísticas decoloniales” da UNSAM, também na Argentina, onde nasceu. Radicada em São Paulo, tem realizado trabalhos sobre a relação entre as diversas áreas do conhecimento, principalmente ligando as artes visuais às questões sociopolíticas, com especial ênfase nas questões de gênero. Realizou exposições individuais e coletivas na Argentina, na Espanha e no Brasil.

Agenda durante a instalação

19/3, às 15h

HIV/AIDS na sociedade hoje: impacto individual ou coletivo.
Juny Kraiczyk (mestre em bioética pela faculdade de Ciências da Saúde, cátedra UNESCO de Bioética, Universidade de Brasília, e diretora-executiva da Ecos – Comunicação e Sexualidade)
Micaela Cyrino (artista plástica e ativista)

2/4, às 15h

Panorama das práticas artísticas e o tema HIV|AIDS na América Latina, dos anos 80 até hoje.
Maria Eugenia Cordero (artista plástica e coautora do projeto-instalação)
Micaela Cyrino (artista plástica e ativista)

16/4, às 15h
Para participar da instalação têxtil, mais um “Vozes e Tramas”.
Encontro aberto para intervenção coletiva em uma peça têxtil no CCSP.

Números e fatos da obra-projeto

– 53 pessoas envolvidas na produção
– Quase 2000 metros de gaze hospitalar tingidos artesanalmente pelas artistas
– 15m de extensão de “trajeto”, 6m de largura e 3m de altura da instalação
– 60 horas de montagem
– 20h de oficinas/encontros para criar as intervenções

Blanver, parceira

Parceira no projeto “A Batalha do Corpo”, a empresa brasileira Blanver atua tanto na produção de excipientes e IFAs, como de medicamentos antirretrovirais, essenciais para o tratamento do HIV, além de outras doenças.

A companhia já foi contemplada em quatro parcerias de transferência de tecnologia ao Governo Federal, as chamadas PDPs (Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo), para a produção e distribuição de remédios. Dentre eles estão o Tenofovir e o 2 em 1, usados por pacientes que vivem com o vírus da AIDS. Os medicamentos já são distribuídos pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

“Nossa estratégia sempre foi proporcionar inovações que ajudem as pessoas, com mais opções, para que decidam o que é melhor para si. No caso dos medicamentos para o tratamento do HIV, investimos na melhoria da qualidade de vidas”, comenta Sérgio Frangioni, CEO da Blanver.

Apoios

Este projeto foi aprovado pela Lei Rouanet/Minc e conta com o apoio do Centro Cultural São Paulo (CCSP), que, além do local de exposição, será também a sede para o educativo do projeto durante todo mês. A Ecos-Comunicação e Sexualidade e Agência de Notícias da AIDS também apoiam este projeto.

Serviço
Abertura: 17 de março de 2016, das 18h às 21h
Local: Centro Cultural São Paulo – Rua Vergueiro, 1.000, São Paulo/SP
Período expositivo: 18 de março a 24 de abril de 2016
Horário: De terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados (exceto Páscoa), das 10h às 18h.
Entrada franca
Informações: 11 3397-4002 / bdc.imprensa@gmail.com