Espetáculo “Casulo: uma intervenção trans…” chega ao do TCA no mês de setembro

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29 de agosto de 2013
por Genilson Coutinho

O espetáculo Casulo uma intervenção trans… apresenta o universo simbólico da população LGBT, tem concepção, direção e encenação de Ângelo Flávio e realização da Cia Teatral Abdias do Nascimento (CAN). O espetáculo que foi anteriormente idealizado para a Estação da Lapa, estreou em abril de 2013 atingindo sucesso de público e crítica, gerando grande repercussão nas mídias e na cena teatral baiana. Após vários pedidos nas redes sociais o espetáculo retorna em cartaz com duas apresentações únicas no Teatro Castro Alves (TCA), nos dias 06 e 07 de setembro (sexta e sábado), às 20h. Ingressos R$ 24 (inteira) e R$ 12 (meia).

A mudança de espaço do espetáculo não foi por acaso, para o diretor Ângelo Flávio, ocupar um teatro da representatividade como o TCA, tem uma relevância semiótica, pois para ele “um espetáculo que nasceu na Estação da Lapa, com um signo de gueto, marginalidade e submundo sob a ótica da sociedade conservadora, agora, vai ao TCA para romper com as estigmatizações, para desguetizar os fazeres da população LGBT e confrontar as fronteiras, reiventando lugares e resignificando pessoas”. Para ele o espetáculo que incorpora elementos estéticos de talk show e happening em uma intervenção experimental na Lapa deu certo porque tiveram a coragem de “correr o risco”, agora vai experimentar e brincar no TCA e, promete surpreender a plateia.

CONCEITO

A montagem problematiza uma discussão transversal entre direitos humanos, identidade, diversidade, cidadania, afirmação e negação dos gêneros através de uma linguagem que funde ficção e depoimentos verídicos da população LGBT. Para Ângelo Flávio, “o público que esta esperando um espetáculo confortável no TCA terá uma grande surpresa, por que dessa vez o encenador vai fazer várias modificações colocando o espectador no palco, colocando o público sobre outra perspectiva de olhar o espaço e o espetáculo, inclusive quem viu deve ver de novo”, lembra Ângelo Flávio.

Através da narrativa de uma dramaturgia contemporânea, o autor, diretor e ator do espetáculo, Ângelo Flávio mergulha no desafio de interpretar duas personagens totalmente antagônicas, Zsolo e Marion, ambas, acompanhadas por uma banda ao vivo, sob a precisa direção musical de Maurício Lourenço. No elenco, os dançarinos do grupo The Fabolous, a transformista Kaysha Kutnner, e os performers Nandão e Twyggi, dão contornos ao universo trans, junto às exibições de curtas documentários criados especificamente para a montagem. Diogo Teixeira e Denise Correia, também cantam e interpretam personagens, o primeiro Dhila e a segunda A Noite, amparados sobre o belíssimo suporte das backing vocals, Alexandra Pessoa, Nara Couto e Émile Lapa.

A FÁBULA

Na fábula Zsolo, um cantor de rock viril se apaixona pelo seu companheiro de trabalho, o músico Dhila, no entanto, o parceiro diz que a única forma dele ter ao seu amor correspondido é se o mesmo se transformar em mulher. Zsolo atende ao pedido do seu amor e se transforma na travesti Marion, causando no parceiro estranhamento e espanto, despertando, assim, a dialética da estranheza que o universo LGBT causa na sociedade.

PEQUISA

Para o diretor e ator, Ângelo Flávio, que saiu travestido no carnaval de Salvador este ano e, visitou boates do público LGBT para fazer o laboratório do personagem, inovar a estética teatral com elementos audiovisuais, possibilita “a integração do público e do vídeo como elementos que misturam ficção e realidade, em um formato de doc-ficção em teatro composto por intervenções verídicas de pessoas do universo LGBT”.

“Um dos objetivos do espetáculo é despertar o sentimento de cidadania e respeito às diferenças, é dar visibilidade ao discurso da população LGBT, por isso, o lúdico vem acompanhado do verídico,” afirma o diretor.

É nesse universo imagético e cheio de poesia que o espetáculo foi montado. Trazendo à cena memórias de pessoas que tem uma ligação direta com o tema. Estas histórias irão compor a estória central da obra realizada pela Cia Teatral Abdias Nascimento (CAN), que este ano completa 10 anos de formação.

O cenário foi idealizado pelo cenógrafo e artista plástico Marcos Costa, incorporando na cena ambientes, como o lar, as ruas, o palco…espaços onde a poesia da lembrança e a solidão concreta se encontram e ganham vida. A concepção do figurino é de Rino Carvalho e de Luis Fordon, que na mesma tangente poética fazem uma releitura do universo trans utilizando o barroco como elementos inspiradores.

Sobre a intenção do espetáculo, o diretor e ator, Ângelo Flávio, diz que pretende despertar nos espectadores o sentimento de cidadania e a consciência de que todos podem transitar e serem respeitados pelas diferenças, “se eu conseguir multiplicar essa consciência podemos ter um país melhor, ainda mais na Bahia que lidera pelo sexto ano consecutivo o ranking dos mais homofóbicos”. Além disso, a apresentação no TCA promete novidades e surpresas para o público, Ângelo afirma que “o público vai sentir e viver o espetáculo com outro olhar, percebendo o espetáculo de forma diferenciada por que cada apresentação é única, então quem viu na Lapa deve ver novamente, pois será uma nova experiência”.

ESTATÍSTICAS LGBT

Segundo informações do Grupo Gay da Bahia (GGB), onze homossexuais foram mortos no estado nos dois primeiros meses do ano de 2012. Em todo país, foram registrados 81 homicídios no mesmo período. No ano passado, foram 272 assassinatos de LGBT no Brasil. Destes, 29 aconteceram na Bahia, que lidera pelo sexto ano consecutivo o ranking de estados mais homofóbicos, com o índice de 10,66% do total de casos no país. O Governo Federal já registrou em 2012, 3.692 violações contra a comunidade LGBT. O serviço Disque 100, do Governo Federal, contabilizou neste ano pelo menos 1088 denúncias de violência contra pessoas LGBT em todo o Brasil.

SERVIÇO

Espetáculo Casulo | 06 e 07 de setembro (SEXTA E SÁBADO)

Local | TEATRO CASTRO ALVES

Horário | 20h

Ingressos | R$ 24 (inteira) e R$ 12 (meia)