Especialista faz palestra e lança livros neste sábado (22) para a 3ª Bienal da Bahia

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21 de março de 2014
por Fábio Rocha

Com pós-doutorado pela Universidade de Barcelona, na Espanha, e com doutorado em História pela Universidade de Campinas (SP), o professor Durval Muniz de Albuquerque Júnior é convidado do curso para Formação de Mediadores que atuarão na 3ª Bienal da Bahia 2014. A palestra do professor acontece neste sábado (22.03), a partir das 14h, no auditório da Faculdade de Arquitetura (FAU) da Universidade Federal da Bahia (Ufba), bairro da Federação, em Salvador.

Durval Muniz é professor efetivo na Universidade Federal de Natal e visitante da Universidade Federal de Pernambuco. Ele foi convidado pela Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA) para essa palestra. O governo baiano realizará a 3ª Bienal da Bahia a partir de resgate das bienais de 1966 e de 1968, esta última interrompida e com obras confiscadas pelo golpe militar. A 3ª Bienal será aberta em 29 de maio (2014) e tem coordenação geral do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM).

No evento serão lançados três livros de sua autoria, dois inéditos. O primeiro, é ‘Nordestino: invenção do falo – uma história do gênero masculino’, seguido por ‘A Feira dos Mitos: a fabricação do folclore e da cultura popular nordestina (1920-1940)’ e por ‘O Morto Vestido para um Ato inaugural: procedimentos e práticas dos estudos de folclore e de cultura popular’. Todos da editora Intermeios. O lançamento é aberto ao público interessado e acontece a partir das 18h do sábado (22) na área externa da FAU/Ufba.

É TUDO NORDESTE? – “O professor Durval Muniz também é autor do livro ‘A Invenção do Nordeste e outras Artes’ apresentando relação direta com o tema da 3ª Bienal da Bahia, que propõe a pergunta: ‘É tudo Nordeste?’”, explica acoordenadora do Núcleo de Arte e Educação (NAE) do MAM, Lica Moniz, que organiza o curso de mediadores. A indagação ‘É tudo Nordeste?’ busca retomar a experiência cultural e histórica nordestina baseada em uma perspectiva baiana, abrindo espaço para novos diálogos com o resto do Brasil e com o cenário artístico mundial.

No livro ‘A Invenção do Nordeste e outras Artes’, o professor analisa de maneira poética e científica a evolução da região nordestina, buscando compreender o conteúdo e modalidades das bases culturais e sociais que levaram ao surgimento da região no final da primeira década do século XX, em substituição a antiga divisão regional do país entre Norte e Sul. A obra relembra e explica o preconceito que se tinha contra as pessoas que vinham de lugares acima do Sul e Sudeste e que eram classificadas como ‘nortistas’.

“Este tema sempre provoca discussões e desperta interesse, afinal o regionalismo nordestino continua presente em nosso cotidiano, nas discussões políticas e culturais. Também permanece alimentando a veiculação de estereótipos, preconceitos, imagens e significações, inclusive na mídia”, comenta Durval. Para o professor, o curso de mediadores do MAM para a Bienal desnaturaliza a ideia de Nordeste e faz as pessoas conhecerem a história da gestação deste recorte regional no país. “É fundamental discutir os usos que se faz hoje desse regionalismo, as mudanças e permanências na imagem da região e que consequências políticas e sociais”, conclui Muniz.

Iniciado em 25 de fevereiro deste ano (2014), o curso é dividido em dois módulos, um focado na Formação em Mediação Cultural e outro na formação específica para a bienal. O curso capacita mediadores para desenvolver atividades que potencializem a fruição e a compreensão das expressões artísticas apresentadas na 3ª Bienal. Os mediadores serão uma interface de relação entre o público e a experiência estética, no contato com as obras e espaços expositivos, que compõem o conjunto de dispositivos da bienal. Mais informações no site www.bienaldabahia2014.com.br.

Sobre as obras – O livro ‘Nordestino: invenção do falo – uma história do gênero masculino’ questiona a antropologia, a sociologia e a história, além de indagar sobre moda, religião e ciência, para, gradativamente, descobrir como foi possível inventar o ‘macho’ nordestino e transformá-lo em uma figura natural. A obra aborda uma problemática que ultrapassa a história do sexo masculino e perpassa as relações de gênero e as discriminações entre classes sociais para atingir o poder no Brasil. Em ‘A Feira dos Mitos: a fabricação do folclore e da cultura popular nordestina (1920-1940)’, o professor Durval Muniz explica o presente como resultado dos fatos e processos do passado. Não é seu propósito definir o que deverá acontecer, como em muitas obras de história, mas foca nos desafios contemporâneos, com base nas verdades do passado. ‘O Morto Vestido para um Ato inaugural: procedimentos e práticas dos estudos de folclore e de cultura popular’, constrói uma pesquisa baseada nas diversas formas de constrangimento para que poesias e cantorias sejam obtidas. Neste livro, Durval dedica-se ao estudo daqueles que são consagrados à ‘cultura popular’, pontuando as transformações do registro oral ao escrito e das expressões culturais dos criadores destes textos.