“Enfrentamos a lesbofobia, racismo, machismo e sexismo, não quero ser vista como coitadinha”, diz Livia Ferreira, militante LGBT

Comportamento, Social
28 de agosto de 2015
por Genilson Coutinho

livia

A administradora, poetisa e integrante do Lesbibahia Lívia Ferreira é a nossa convidada desta sexta-feira para um bate-papo sobre o Dia da Visibilidade Lésbica. Através de uma reflexão sobre o movimento lésbico em Salvador e no Brasil, a militante ressalta a importância da data e do ano de criação do movimento, pontuando o crescimento permanente da participação de ativistas e militantes na luta diária, além de sinalizar a necessidade urgente na criação de coordenações, conselhos, comitês, núcleos e conferências LGBTT.

Confira abaixo esse emocionante relato.

Temos uma queda muito grande de direitos, a PLC122/2006 anti-homofobia não aprovada; o kit homofobia barrado nas escolas; o tripé da cidadania não aplicado; o retrocesso dos planos municipal, estadual e federal de educação que não querem incluir a palavra gênero nas formações iniciais; sem falar na bancada fundamentalista que assumiu o congresso, câmaras e assembleias do nosso país.

Identifico que temos muito que protestar, somos uma grande parcela desta sociedade, mas não temos dignidade, respeito e direitos conquistados. Sou lésbica negra e observo que não existem os cuidados com a nossa saúde, educação, emprego e condições básicas de vida para todas. Precisamos ser mais rebeldes, pois este governo, os grupos de mulheres e as organizações mistas não nos contemplam, mantendo esse triste ciclo de invisibilidade contínua, Enfrentamos lesbofobia, racismo, machismo e sexismo. Não quero ser vista como coitadinha. Quero que o meu país seja realmente de todas e para todas! Acredito que não é preciso solicitar cidadania, pois temos direitos assegurados pela Constituição Federal no Art. 5º “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.

Leia também:

“O movimento de lésbicas na Bahia tem um histórico muito rico”, diz a pedagoga Larissa Passos

Mas se temos esses direitos garantidos, por que vivemos o tempo todo dentro deste conflito e enfrentamento?

(…) “Quero poder beijar a minha esposa sem sofrer retaliações e sem ser violentada”. Lívia Ferreira

Confira uma das poesias de Livia:

Gratidão

És

Negra

Como uma esperança

Como sonho de criança

Na busca da Aliança

Com as nossas

Tu és majestade

Com sua coroa

Com a sua cabeleira

Expressiva

Com naturalidade

És Negra sim

Da ancestralidade

Das vivências

De amizades

Empoderamento

E arte

És Negra

És Negra

Como a noite a cair

Que traz a beleza

E o brilho da lua

Em que o sol

Faz estrelar

És Negra

És Lésbica

Caliente

Inteligente

Envolvente

De sentimentos

E razão

Que entende

O que é gratidão

És Negra

És Politica

Que estabelece

Para suas

Unidade

Cumplicidade

Autoridade

E amizade

És Negra

Que respeita

E acredita

Que a irmandade

Só acontecerá

Quando houver

Dignidade

E sororidade.