Empresa cria cueca com absorvente para homens transexuais que menstruam

Notícias
19 de novembro de 2015
por Genilson Coutinho

Há dois anos, a marca de roupas íntimas Thinx lançou um produto que prometia transformar a vida de todas as mulheres: uma calcinha para os períodos de menstruação, que dispensaria o uso de absorventes. A maior inovação estava em um produto reutilizável, confortável e que atenderia a todas “naqueles dias”. Dois anos depois, a empresa percebeu que nem todas as pessoas que menstruam estavam sendo atendidas pelo produto: os homens transexuais que também convivem com o período menstrual.

Foi preciso, então, inovar mais uma vez e a Thinx decidiu criar a “boyshort”, uma cueca desenvolvida para homens trans que, por decidirem não tomar hormônio ou fazer qualquer procedimento cirúrgico para interromper a menstruação, ainda precisam usar absorventes. Para muitos, o período menstrual é todo mês algo traumático, pois trás memórias de um corpo com os quais eles não mais se identificam. Para muitos outros, menstruar é algo que os envergonha.

“Menstruar e ter que usar absorvente era basicamente uma lembrança de que meu corpo não combinava com a minha identidade de gênero. Essa desconexão entre corpo e mente me levou à depressão, alterações de humor e até mesmo mecanismos de enfrentamento, como automutilação”, escreveu o jornalista Ethan Lopez, em um artigo sobre homens transexuais que menstruam, no portal da revista Sex.etc.

A própria Thinx admite que, até pouco tempo atrás, não havia dado conta da grande quantidade de pessoas que vivem com esse problema. “A gente não tinha parado para pensar nisso, o que não é surpresa, visto que, até hoje, homens trans são frequentemente ignorados pela indústria. Se o nosso objetivo é acabar com esse tabu e parar de tratar a menstruação como algo vergonhoso, temos que fazer isso com todas as pessoas”, disse a CEO da empresa, Miki Agrawal, em entrevista ao site Mashable.

Para divulgar o novo produto, a Thinx se juntou ao influenciador digital americano Sawyer, de Nova York, que já tinha manifestado a carência de um produto desse tipo que o atendesse no mercado. É ele quem estrela o ensaio de divulgação da boyshort. “Sou trans há cinco anos, mas continuo menstruando. Eu tinha que usar várias camadas de proteção para que não vazasse nada e alguém visse que eu menstruo. Mesmo sendo um homens trangênero, ainda tenho na minha cabeça que homens não devem menstruar, porque foi assim que a sociedade me ensinou. A comunidade trans do Brooklyn não conversa muito sobre homens com períodos menstruais, porque ainda é algo que envergonha”, conta Sawyer, no vídeo de divulgação da cueca.

O boyshort é formado por duas camadas de absorção, uma antibacteriana, além de uma camada que impede vazamentos, garantindo que a cueca possa ser usada até com roupas claras. Segundo a Thinx, a cueca tem a mesma capacidade de um absorvente interno, para os dias de fluxo menos intenso. Para lavar, basta enxaguar antes de levar à máquina para lavar com água fria, sem usar amaciantes. Depois basta secar no varal, como qualquer outra cueca. O produto é vendido no site oficial da marca, por 34 dólares (cerca de R$ 130).

A empresa, segundo Agrawal, já pensa em novos produtos para a comunidade trans. “Queremos fazer com que as pessoas aceitem e entendam homens trans como pessoas que menstruam, que sejam abertas e honestas sobre o assunto e que não façam julgamentos. Temos que suportar a comunidade trans como parte da gente”, diz.

Do Extra