Emília Biancardi lança o livro ‘O Som dos Esquecidos’ em homenagem aos indígenas

Arte e Exposições, No Circuito
20 de setembro de 2017
por Genilson Coutinho

No próximo dia 22/09, como parte da programação da Primavera dos Museus 2017, a etnomusicóloga Emília Biancardi lança – em parceria com Terezinha Spínola – o livro ‘O Som dos Esquecidos’, às 16h, no Centro Cultural Solar Ferrão (Pelourinho). O lançamento contará com a participação de integrantes da Orquestra Museofônica e uma apresentação de dança dos alunos da Escola de Dança da Fundação Cultural (Funceb), sob direção do professor Márcio Fidelis.

“Será um presente para esta mestre que muito me ensinou na época da Orquestra Popular da Bahia. Levaremos uma coreografia baseada na cultura indígena que é o que estamos trabalhando este bimestre na Escola de Dança. Apresentaremos os caboclinhos e o toré que, inclusive, aprendi tudo o que sei com Emília”, acrescenta Fidelis.

coleção emília biancardi_foto Samuel Cerqueira (5)

O livro, com fotos de acervo e de Nini Gondim e Luiz Fernando Gondim, reúne informações sobre a pesquisa de Biancardi com os indígenas na Reserva dos Índios Camaiurá, no Xingu, em 1975; além de trazer dados sobre a cultura indígena, em especial a música e os instrumentos musicais. Parte desta pesquisa, inclusive, faz parte da sala ‘Som dos Esquecidos’ da ‘Coleção de Instrumentos Musicais Tradicionais Emília Biancardi’, em cartaz no Centro Cultural Solar Ferrão (Pelourinho).

Responsável pela maior coleção de instrumentos musicais dos índios no Brasil, a etnomusicóloga Emília Biancardi pretende contribuir para que a cultura musical indígena seja mais conhecida e levada a sério. “Temos exceções, mas no geral as pessoas esquecem que, quando os povos invasores chegaram no Brasil, e depois os negros, os índios já tinham seus instrumentos musicais, já tinham suas músicas e danças. Queremos transmitir esse conhecimento com a coleção e, agora, com este livro”, informa Emília.

“Os instrumentos musicais tradicionais indígenas da coleção Emília Biancardi formam um dos mais significativos conjuntos do país. Eu vejo o livro de Emília Biancardi e sua parceira Terezinha Spínola não só como um grande tributo à memória dos povos indígenas do Brasil, mas, também como um elemento importante para a manutenção e preservação dessa memória, aqui, alimentada pelos textos e imagens de ‘O Som dos Esquecidos’”, declara Fátima Santos, coordenadora da Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (DIMUS/IPAC).

Entre os índios brasileiros predominam os instrumentos de sopro, seguidos dos chocalhos e em menor quantidade de percussão e de corda. Alguns destaques são os Chocalhos Maracás (instrumento de grande importância utilizado nos rituais da plantação e da pajelança de vários povos indígenas), as Buzinas (que servem basicamente para a comunicação), as Máscaras que Tocam (utilizadas em cerimoniais e representam personagens da mitologia indígena) e a flauta Uruá (tocada pelos povos da região do Xingu, somente por homens, sendo-lhe atribuído o poder de afastar os maus espíritos antes do Kuarup).

A Orquestra Museofônica, considerada como um verdadeiro museu cênico, foi criada em 2012 e surgiu a partir da ideia da museóloga Ana Liberato em criar uma orquestra com os colaboradores dos museus sob a direção da DIMUS/IPAC, objetivando um aprendizado sobre o manuseio e conhecimento de instrumentos musicais, suas possibilidades, musicalidades, histórico, restauração e a possível recriação destes, em princípio, com a ‘Coleção de Instrumentos Musicais Tradicionais Emília Biancardi’.

Primavera dos Museus – Os museus da Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio artístico e Cultural da Bahia (DIMUS/IPAC) participam da 11ª Primavera de Museus que acontece de 18 a 24 de setembro com o tema “Museus e suas memórias”. Acompanhe a programação dos museus do Estado no blog: https://dimusbahia.wordpress.com/.

EMÍLIA BIANCARDI – Etnomusicóloga, professora, compositora, pesquisadora da música folclórica brasileira e especialista nas manifestações tradicionais da Bahia. Criou em 1962 o ‘Grupo Viva Bahia’ (o primeiro e mais importante grupo parafolclórico do Brasil) e com ele levou para os palcos do mundo a materialização de sua incansável pesquisa sobre o repertório musical tradicional indígena e afrobaiano.

Nas viagens pelo mundo acompanhando o grupo, adquiriu instrumentos em países da Europa, África, Américas e do Oriente, e o seu interesse pelos instrumentos fez surgir a “Coleção de Instrumentos Musicais Tradicionais Emília Biancardi”, doada ao Governo do Estado em 13 de junho de 2011, e atualmente exposta no Centro Cultural Solar Ferrão (Rua Gregório de Matos, nº 45, Pelourinho) vinculado a Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural – DIMUS/IPAC.

A coleção é composta por mais de 1000 instrumentos, com destaque para as relíquias musicais de povos indígenas brasileiros, a exemplo dos Camaiurás e Kalapalos do Xingu e Carajás da Ilha do Bananal no estado de Tocantins, além de instrumentos representativos da Diáspora Africana e de povos da Ásia, América e Europa, e ainda outros criados ou recriados pela própria Emília Biancardi.

Ficha Técnica – Livro ‘O Som dos Esquecidos’

Texto: Emília Biancardi e Terezinha Spínola

Fotos: Nini Gondim e Luiz Fernando Gondim

Capa: Ana Júlia de Moraes Pereira

Diagramação: Anderson Paulo Pereira

Páginas: 151

Tiragem (1ª edição): 300

Distribuição gratuita