Em cada janela uma fé inabalável!

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27 de junho de 2011
por Fábio Rocha

 

De todos os Santos, encantos e axés a Bahia é um celeiro de religiosidade e misticismo.

Nosso país é laico, mas a Bahia tem como religião predominante o catolicismo, matriz religiosa no candomblé e uma invasão espacial de evangélicos. São aproximadamente 13 mil igrejas evangélicas no Brasil (Sepal, 2004), quatro mil terreiros de candomblé na Bahia (CEAO) e 365 igrejas católicas em todo estado (conta a lenda), que juntos estruturam uma das maiores (des)organizações culturais do mundo.

O Aurélio define religião como “culto rendido à divindade / Fé; convicções religiosas, crença / Doutrina religiosa / Tendência para crer em um ente supremo. / Acatamento às coisas santas.” A fé funciona como um ponto de apoio a existência humana. Crenças e dogmas limitam os impulsos e endemonizam atitudes que vão contra as boas relações, o respeito à humanidade, os pensamentos positivos e a caridade.

Somos animais dotados de razão e inteligência (com exceções) que possuem em si impulsos violentos e egoístas. Estamos dispostos a matar para nos protegermos e irmos as últimas conseqüências por nossos objetivos, porém… Somos limitados socialmente pela religião, educação e legislação que em busca da harmonia e perpetuação da espécie nos põe regras, interdições e medos.

Partindo destas informações poderíamos pensar que na Bahia tudo é na mais perfeita harmonia! Nem tanto, mas com certeza temos um benefício como nenhum outro: o sincretismo.

Religioso ou não o baiano come caruru de santo, ouve atabaque na igreja do Rosário dos Pretos, assiste a lavagem das escadarias do Bonfim e toma banho de folha no caminho, é batizado, dança de música gospel ao afoxé entre tantas outras situações que caracterizam o sincretismo de um povo que nem mais percebe onde começa e onde termina sua fé.

Confesso que me encanto com a dança dos orixás e o toque dos atabaques. Admiro o fervor evangélico e a tranqüilidade espírita, o poder dos fiéis e o ritual católico, a filosofia budista e a mistura da umbanda. São tantos os caminhos para “Deus” e tantas as formas de alcançá-lo que provavelmente em nenhum outro lugar do mundo uma só rua pode te levar a tantos lugares.

“O medo dos poderes invisíveis, inventados ou imaginados a partir de relatos, chama-se religião.” Thomas Hobbes

Por Rodrigo Almeida