Dois militantes gays foram agredidos no circuito Barra-Ondina

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19 de fevereiro de 2012
por Genilson Coutinho

Icaro Ceita prestou queixa

A homofobia no carnaval de Salvador vem mostrando a sua cara contra as lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) no circuito Dodô, somando dois casos de agressões – um na sexta e outro no sábado – que foram denunciados pelas vítimas.

Rafael Myranda e Ícaro Ceita, militantes da causa LGBT, foram agredidos por grupos de homofóbicos com atos de violências em pleno circuito da folia enquanto brincavam atrás do trio com um grupo de amigos.

Veja o relato das duas agressões.

Icaro Ceita

Estava com um grupo de amigos vindos do interior da Bahia ( Chapada Diamantina) acompanhando o Bloco Crocodilo, puxado por DANIELA MERCURY, por volta das 04h:30 quando fui gratuitamente agredido por um rapaz que já apresentava visíveis hematonas no rosto.

Na primeira abordagem, o elemento veio em minha direção, quando estava no passeio assistindo ao desfile do referido Bloco mostrando disposição para agredir-me. Imediatamente me coloquei na defesa, meus colegas me puxaram para mantermos a distância do agressor. Logo depois conversava com outro colega nosso que estava dentro do CROCODILO quando outra vez o trangressor, aproximou-se, e de forma brusca jogou no chão o “cocar” que meu amigo usava, agredindo-o também. Novamente tomei a defensiva, o sujeito desferiu socos e pontapés. Populares e amigos nos afastaram, com o intuito de me proteger. Procurei o responsável pela segurança do CROCODILO, tendo se apresentado O Srº Djamar Conceição Borges. Mais uma vez o homofóbico se aproximou, desta vez mostrando intimidade com o primeiro, que passaram a desferir socos contra mim. Me esquivei, mas fui atingido na mandíbula, inferior à esquerda. Imediatamente atravessei o bloco e me dirigir a uma patrulha conduzida por cadetes que estava proxima, e expliquei o ocorrido,que eles haviam avistado de longe. Os alunos oficiais agiram de forma rápida e eficaz, conseguindo alcançar os meliantes que nem sequer se deram ao trabalho se fugir do local – de certo já costumados com tais feitos, sem que se tomassem a devida providência –  efetuaram a prisão e condução dos meliantes ao posto da PC instalado no circuito, próximo ao Camarote da Band. A queixa foi prestada, por agressão motivada por homofobia, bem como os policiais registraram que houve resistência à prisão e desacato à autoridade, e ainda como testemunha do fato.

Mesmo num preposto policial, os elementos tiveram a audácia de me ameaçar. Então nos deslocamos para  a CENTRAL DE FRAGRANTE – CF04 – QUADRA DA UFBA. Vítima, agressores, condutores e testemunhas. Lá o homem que se apresentou como funcionário do CROCODILO, que de fato usava vestimentas padronizadas, confessou que Valnei Santos da Silva, era “cordeiro” e morava com ele num albergue e que havia sido afastado da função de cordeiro do citado bloco carnavalesco por ter estar em visível estado de emgriaguez e ter agredido outra vítima, de forma similar – daí os hematomas no corpo. Ainda confirmou quando perguntado sobre seus antecedentes criminais, que já se envolveu em situações similares na festa momesca.

Inadimissível. Não planejava sair de casa, pois estava desaminado com a explosão de violência que se revelou de forma mais ostensiva durante a greve da PMBA. Mas incentivado por amigos resolvi dar uma olhada na rua. Ontem não havia percebido o nível de violência que hoje soube através de relatos da parte de conhecidos, e resolvir retornar para as ruas, num clima de paz e descontração. Por todo percuso foi reconhecido e parabenizado por populares por meu trabalho em defesa da comunidade LGBT e DIREITOS HUMANOS.

De repente me vejo vítima de um ato de violência homofóbica. Um dia após outro ativista ter sido covardemente agredido no mesmo circuito. De certo, se eu não fosse preparado para me defender, estaria com ferimentos graves.

Requer tomada de providência da parte do poder público de forma imediata para previnir, frear,combater e erradicar tamanha manifestação de intolerância, antes que outros (as) LGBTs seja igualmente violentados, podendo chegar a situações mais graves como óbito.Não podemos esperar que seja realizada outra Conferência LGBT para termos a ilusão que se esta fazendo algo para mudar esse quadro. Precisamos de ações concretas e eficazes aqui e agora. Somos nós que estamos sendo agredidos (as), feridos (as), assassinados (as).

Imagino quantos fatos delituosos como estes já ocorreram neste carnaval, sem que as vítmas tenham tido a coragem de denunciar. Digo isso porque meu outro colega ( vítima), não quis prestar queixa-crime, pois demonstrou insegurança para sair nos outros dias na rua ” Ícaro, não vou ir a polícia, pois amanhã eles vão estar soltos e vão vir atrás de mim”. Outros também tinham sido assaltados mais cedo, e igualmente não formalizaram a denúncia. Reina o clima de impunidade.

Gostaria que o governo do estado se manifestasse, seja através da SCJDH, se não pelo próprio titular Drº Almiro Senna, pela Coordenadora do núcleo LGBT Paulett Furacão, bem como a secretaria de Segurança Pública tomasse providências, seja através do titular Drº Maurício Barbosa, ou pela representante que sempre enviam da SSP, que no momento me foge o nome, para eventos que tratam de segurança para esta comunidade vulnerável. Porque se gastou tanto recurso público com conferência se não se aplica as propostas apresentadas de forma voluntária e gratuita pela militância e comunidade homossexual baiana e brasileira? Porque na central de fragrante houve resistência da delegada em colocar a motivação do crime por homofobia? faltga qualificação neste sentido? Porque até hoje não disponibilzaram um modelo boletim onde se possa destacar a motivação por homofobia? Porque até a presente data não se constituiu um GT de intedisciplinar de Segurança Pública LGBT no Estado? Porque o estado não preparou ou fez ampla campanha de conscientização contra a homo/lesbi/bi e transfobia no carnaval – e antes dele?

Estou indigando. O soco foi mais sentido em minha alma e auto estima,do que a dor da agressão física. Meus colegas querem ir embora de Salvador.

Enviei SMS imediatamente para ativistas como Marcelo Cerqueira, pres. do GGB, Drº Luiz Mott, Gésner, Domingos que esta trabalhando e nos bem representando no Observatório. Pela avançar da hora, acredito que só Marcelo estava acordado, pois imediatamente respondeu. Fez contato preocupado e solidarizando-se comigo. Mais uma vez fica minha gratidão ao Grupo Gay da Bahia.

Por gentileza, gostaria do contato com Paulett Furacão, pois pretendo fazer encaminhamento formal ainda hoje à SCJDH. A Adé Diversidade encaminhará pedido de explicação aos responsáveis pelo Bloco Crocodilo, uma vez que devriam capacitar seus cordeiros e outros funcionários para atender a comunidade LGBT predominante entre seus foloões e ter mais cuidado na seleção destes. O próprio relatou que já tinha precedente. Mas acreditamos que essa ação deva ser reforçada pelo Comitê LGBT, pelo Fórum LGBT, pela SCJDH. Tanto para este último fato narrado, quanto no caso de Rafael Miranda, a quem por ironia do destino eu me solidarizei ontem antes de sair de casa, e cobrei que o estado colocasse em prática as proposta que não saem do papel ainda da I Conf. LGBT em 2008.

Solicito especialmente a atenção do GGB, que pelo histórico, nohall, 30 anos de atuação, tem credibilidade e sólido contato na imprensa que nos ajude a divulgar e cobrar providência nestes casos. Sabemos que muitas vezes as coisas só funcionam quando a mídia toma parte dos fatos neste país. Como já disseram é o Quarto Poder.

caro Ceita

Coord. Geral do Instituto Adé Diversidade – BAHIA

Coord. Nacional/Nordeste da ARTGAY

Coord. da RENOSP (Rede Nacional de Operadores de Segurança Pública LGBT)/Ba

Fórum LGBT baiano

Rafael Myranda

Na madrugada de sexta-feira para sábado, por volta das 1 hora da manha, eu e, mas três amigos estávamos no Beco da OFF curtindo nosso carnaval e festejando o meu Aniversário antecipado,minha amiga resolveu ir lá perto do Farol da Barra para encontrar com outros amigos, saímos do Beco sentido Avenida principal do percurso do Carnaval,quando entramos na Avenida estava vindo o Bloco puxado pela Banda Psirico (banda de pagode) tentamos retornar para o Beco da OFF mas na entrada estava cheio de pivetes tudo com gestos corporais de como se fosse brigar então decidimos ir de frente foi quando o Cantor Marcio Vitor, gritou “Se joga no Arrastão” os pivetes e vários vagabundos começaram a bater em quem passava, os pivetes que estavam na entrada do Beco da OFF , nos avistaram e vieram em nossa direção, tentamos adiantar os passos mas não dava muito devido a concentração de pessoas, foi quando dois do pivetes me alcançaram e deram dois muros na minha cabeça sendo que eles tinha uma luva com propriedades cortantes(acho que uma soqueira),quase cair no chão mas sentir que eles iriam me dar mas muro e conseguir correr,encostei num poste e passei a mão na minha cabeça e reparei que estava todo melado de sangue,meus amigos se aproximaram e conseguiram gelo e começaram a colocar pra parar de sangrar pois o corte foi profundo, logo após conseguir andar formos procurar um posto de saúde ou uma unidade da SAMU,mas não conseguirmos encontrar e tive que esperar até de manha que retornei para Simões Filho, mas não fui logo ao serviço de saúde pois estava muito cansado e abalado então fui para casa lavei a cabeça e descansei até as 13 horas quando pedir a um amigo da minha ONG que me acompanhasse até a Hospital Municipal de Simões Filho,fui bem atendido mas não pude levar o 5 pontos na cabeça pois o medico disse que tinha passado 6 horas que eu tinha levado o corte na cabeça, então me medicou e passou alguns remédios para eu ficar usando durante uma semana.

Hoje 19 de fevereiro venho por meio desta relatar com detalhes o que sofrir e agradecer a todos o militantes que estão me ligando e me dando apoio nesse momento difícil em que passei.Fico feliz que hoje completar 21 anos de vida  e mesmo com o corte aberto na cabeça não fui mas uma vitima fatal da homofobia.Espero que esse fato me ajude mas a continuar lutando aqui em Simões Filho e em toda a Bahia.

 

Rafael Myranda
Grupo Contra o Preconceito/Simões Filho-BA

Congregação Mãe de Deus(CMD)

Filiado ao Fórum Baiano LGBT