Dia Mundial do Orgulho Gay é lembrando com tristeza na Bahia

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28 de junho de 2012
por Genilson Coutinho

Esta quinta-feira, 28 de junho, é o Dia Mundial do Orgulho Gay, mas pouco há para se comemorar. Casos de homofobia crescem diariamente, revelando uma triste realidade da sociedade brasileira na qual a intolerância ainda é algo latente. Em 2012, os números já chegaram a 15 mortes só na Bahia, todas acompanhadas de brutalidade. A  última ocorreu no último domingo, em Camaçari, quando o estudante José Leonardo, de 22 anos, foi assassinado a pedradas ao ser considerado gay por estar abraçado ao próprio irmão gêmeo, José Leandro. Três suspeitos estão detidos na 18ª DT: Adan Jorge Araújo Benevides, 22 anos, Adriano Lopes, 21, e Douglas Estrela, 19.

Pelo sexto ano consecutivo, em 2011, a Bahia manteve o maior índice de mortes (28) por homofobia do Brasil, à frente de Pernambuco (25) e São Paulo (24). No Brasil, foram 266 homicídios em 2011. Comparando a alta de 2007 (122 mortes) até o ano passado, o aumento chega ao patamar de 118%. Este ano, já são 104 mortes contabilizadas em todo o país.

Segundo Luiz Mott, ninguém nasce homofóbico. A fobia, segundo o estudioso baiano, é fruto da omissão das instituições, da controversa educação familiar ou das dúvidas sobre a própria orientação sexual. “As pesquisas cada vez mais confirmam a tese de Freud, de que quem tem problema com a própria sexualidade agride e discrimina quem apresenta uma sexualidade diferente”.

Para Maurício Azevedo, sócio proprietário da boate Off Club, casa mais tradicional de Salvador e com mais tempo no Nordeste, a data deve servir para renovar forças na luta contra essa realidade. “Acredito que há mais para lutar do que comemorar, pois a homofobia, casos absurdos de agressão e violência, crescem a cada dia e, pior, muitas vezes não é feito um enquadramento justo, responsabilizando quem, de fato, altera a ordem e os bons costumes. Mas também temos muito o que festejar, já que demos um passo muito importante com a união estável gay sendo juridicamente reconhecida no Brasil e o assunto já vem sendo tratado de forma mais honesta pela mídia e pelo público em geral”.