De denúncias contra homofobia a roteiros turísticos: confira nove plataformas digitais para LGBTQI+

Notícias
12 de novembro de 2018
por Genilson Coutinho

O globo

De acordo com dados registrados pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) divulgados pelo GLOBO em janeiro , a cada 19 horas um LGBTQI+ é assassinado ou comete suicídio por conta da LGBTfobia — o que coloca o Brasil no primeiro lugar dessa categoria de crime de ódio. Em 2017, foram contabilizadas 445 mortes no país, totalizando102 casos. Um aumento de 30% em relação a 2016.

Ataques homofóbicos podem ser denunciados por meio do canal direto com o Ministério dos Direitos Humanos, o Disque 100, ou registrados nas delegacias civis locais. Contudo, a pesquisa do GGB mostra que, a cada quatro homicídios, o autor dos crimes é identificado em menos de 25% das vezes. Menos de 10% das ocorrências resultam em processos criminais ou em condenações.

Considerando a vulnerabilidade LGBTQI+, iniciativas privadas de membros da comunidade passaram a utilizar a tecnologia como uma proteção a mais. Confira a seguir nove plataformas — entre aplicativos e sites — voltados para a proteção do público LGBTQI+:

Todxs

Exibindo uma interface prática e intuitiva, o Todxs oferece acesso a mais de 700 normas e leis brasileiras que garantem direitos dos LGBTQI+ para casos de homofobia. Ele ainda permite o registro de denúncias de agressão e a avaliação do atendimento realizado pelas autoridades. Os casos são compartilhados com o Ministério da Transparência-Controladoria Geral da União (CGU) para a construção de uma base de dados que auxilia o engajamento federal na criação de políticas públicas voltadas para a comunidade. No Google Play Awards deste ano, premiação que elege as melhores ferramentas digitais, o Todxs foi indicado na categoria “Melhor Impacto Social”.

Mona Migs

Com alcance nacional, a proposta do Mona Migs é simples e muito eficaz: voluntários podem se cadastrar na plataforma para oferecer abrigo para LGBTQI+ expulsos de casa por preconceito e intolerância. Caso não sejam encontradas casas disponíveis na região, o aplicativo direciona as vítimas de homofobia para centros de acolhimento especializados que contam com profissionais disponíveis para o acompanhamento individual dos casos.

Espaço Livre

No Espaço livre é traçado um mapa da homofobia a partir do registro de denúncias de agressões verbais ou físicas. Similar ao Google Maps, o usuário pode marcar precisamente o ponto de ocorrência e esses dados integram, enfim, a nuvem da Microsoft. Estas informações são cruciais para a atualização do mapa de calor da ferramenta, que aponta os lugares com maiores e menores índices de violência. No Espaço Livre, não é preciso realizar cadastro: ele pode ser usado anonimamente.

TransEmpregos

Com nome autoexplicativo, o site reúne anúncios de vagas de emprego para transexuais ou travestis, além de também indicar cursos e palestras para qualificação dessa parcela da população que ainda encontra dificuldades para entrar no mercado de trabalho formal. Com parcerias firmadas com empresas, os currículos cadastrados são enviados diretamente aos empregadores interessados.

Dicionário de gêneros

Assim como o Todxs, a plataforma Dicionário de genêros aposta no empoderamento da comunidade LGBTQI+ através da informação colaborativa, embora não tenha foco nas leis como o concorrente. No Dicionário de gêneros, são esclarecidos termos de sexo, identidade de gênero e orientação sexual de maneira didática. Há ainda uma seção onde é possível escrever impressões pessoais de identificação.

Viajay e By concierge

Tanto o Viajay quanto o By Concierge selecionam ambientes friendly aos  LGBTQI+ — de restaurantes e baladas a hotéis. Em parceria com a Associação Brasileira de Turismo LGBTQ, a Viajay disponibiliza roteiros amigáveis para a comunidade nos principais destinos turísticos do país e do mundo. Ela oferece ainda opções de intercâmbio para o exterior, prezando pela proteção dos LGBTQI+, e um blog com dicas de viagens.

Tem local?

A plataforma colaborativa funciona em moldes parecidos com o Espaço Livre, mas além de coletar denúncias de casos de LGBTfobia, ela aponta os índices de AIDSfobia. O processo pode ser realizado, assim como no Espaço, anonimamente.

Moovz e GPSGAY

Ambos são redes sociais voltadas apenas para a comunidade LGBTQI+. Criado em 2015, o GPSGAY conta com mais de 200 mil usuários na América Latina e vai além da premissa de formar pares: a intenção é que a comunidade forme um networking, trocando experiências que vão de indicações de lugares para sair a ofertas de emprego. Com uma estrutura similar, o Moovz — considerada a maior rede social LGBTQI+ do mundo — permite a conexão da comunidade de forma global  por meio de notícias ou da transmissão de eventos em tempo real. Mais recentemente, o Moovz também incorporou a função de compartilhar stories, aproximando-se mais da interface do Facebook, porém fechada para a comunidade.

Amino LGBT

Com mais de 300 mil membros, a interface do Amino LGBT se assemelha muito a do Tumblr: atuando como um grande blog comunitário, porém voltado à comunidade LGBTQI+. No Youtube é possível encontrar diferentes resenhas sobre o aplicativo que também possui versão para desktop. O Amino traz notícias, entrevistas com personalidades relevantes para o movimento e realiza concursos e eventos nas tags mais acessadas. Também é possível entrar em chats comunitários nas plataformas seja para paquerar ou fazer novas amizades.