CUS discute relações entre as produções artísticas e as dissidências sexuais e de gênero no encerramento do Maio da Diversidade

Comportamento, Social
20 de maio de 2016
por Genilson Coutinho

O encerramento das atividades do grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS) no Maio da Diversidade 2016 ocorrerá neste dia 24 (terça-feira), às 17h, no auditório 1 do PAF 5 (campus da UFBA em Ondina), com a mesa redonda intitulada Genealogias excêntricas: artes queerfeministatrans e conhecimentos dessubjugados. A mesa, criada com o objetivo de pensar sobre as relações entre produções artísticas e as dissidências sexuais e de gênero, será composta por três pessoas que integram o CUS: João Manuel de Oliveira, Tiago Sant´Ana e Thaís Faria. O tema da mesa também será alvo do dossiê da edição número 6 da revista Periódicus. A chamada de textos será divulgada durante a atividade.

Na comunicação Dançando Judith Butler em Nossa Senhora das Flores: para uma genealogia excêntrica do gênero, João Manuel de Oliveira fará uma genealogia que recusa e resiste às historiografias dominantes e visa repensar o próprio projeto historiográfico das teorias de gênero. “Tento procurar o modo como o discurso se constitui como sistema sobre o qual se pode dizer o que é verdadeiro ou falso, via Foucault. Traçando essa genealogia no caso português, que é também a minha, procurei detectar a emergência de um conceito de gênero marcado pela performatividade (Butler) e encontro-o na obra de Francisco Camacho, em Nossa Senhora das Flores, 1993, primeiro marco da performatividade de gênero em Portugal antecedendo os usos acadêmicos do conceito. Assim, poderíamos pensar que o gênero em Portugal se dançou primeiro e se pensou depois”, defende o pesquisador.

A intervenção de Tiago Sant’Ana segue na mesma proposta e recebeu um provocativo título: O queer foge do sul-sudeste: uma interpretação peba, anti-oficial, indisciplinada e desautorizada da genealogia do queer no Brasil. “A apresentação investiga as genealogias do queer no Brasil. Recusando uma historiografia oficial, a proposta é lançar um olhar a partir de uma mirada duplamente excêntrica: uma ao recusar o que se convencionou como o centro produtor dos estudos queer no Brasil (sul-sudeste) e outra que questiona a supremacia de uma linguagem textual-científica para entender e historicizar a perspectiva queer no país”, conta ele. Nesse sentido, continua, a ideia é pensar como a arte vem sendo utilizada como linguagem de um ativismo de dissidência sexual e de gênero antes mesmo do surgimento do que viria a ser chamado de queer. “Dito de outro modo, a proposta é estranhar a historiografia da perspectiva queer no Brasil”, diz.

Já em (Des)construindo performances: o feminino como sujeito na Pornografia Feminista, Thais Faria analisará a Pornografia Feminista como uma prática e um instrumento político que movimenta a estrutura e o imaginário hierárquico e normativo diante da sexualidade feminina. “A proposta é que a Pornografia Feminista tem a potência de desmitificar os padrões culturalmente sedimentados, tentando borrar os limites de existência colocados na nossa sociedade para que a diferença se converta em discurso de poder e empoderamento das sujeitas através da movimentação e intersecção das categorias sexo, sexualidade, gênero, etnia, corporeidade, classe social e colonialidade”, explica.

A entrada é gratuita, sem necessidade de inscrição prévia. Participantes receberão certificados.