CUS comemora 10 anos com debates e mostra artística; confira a programação

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10 de abril de 2017
por Genilson Coutinho
Tiago Sant Ana - curador e coord geral Mostra CuS

Tiago Sant’Ana coordenador geral do evento,

Usar a arte e o corpo para problematizar as questões que envolvem gênero e sexualidade. Subverter e quebrar estereótipos que temos sobre maneiras de ser e existir. Esse é o mote da Mostra CUS 10 anos, evento que comemora uma década do grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade, o CUS, ligado à Universidade Federal da Bahia e que congrega pesquisadores, acadêmicos e ativistas.

O evento acontece nos dias 18, 19 e 20 de maio, em parceria com o Goethe-Institut Salvador-Bahia e patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através do edital de Culturas Identitárias, onde a proposta do CUS foi uma das selecionadas.

A Mostra CUS 10 anos terá talk shows, exposição de arte, exibição de filme, apresentação de espetáculo de teatro, performances, oficinas, além do show da Mc Linn da Quebrada, no dia 20/05, que encerra a programação na Praça Pedro Arcanjo, no Pelourinho. A programação completa do evento está no final desse release.

O CUS surgiu com a intenção de estudar as relações entre cultura, sexualidade e gênero de maneira interseccional. “Criar intersecção é criar pontes, diálogos, com vários saberes e conhecimentos, na intenção não apenas de compreender fenômenos, mas mapear outros conhecimentos subjugados. Os estudos queer, do qual também nos ocupamos, têm interesse em desconstruir qualquer ideia de normatização, naturalização, binarismos, sempre em contato com as subjetividades, as produções artísticas e tantas outras possibilidades que não param de florescer”, explica Leandro Colling, professor do IHAC – Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da UFBA, e um dos coordenadores do grupo.

Stéfano Belo - Foto Pedro Doinel

Stéfano Belo – Foto Pedro Doinel

Para o diretor do Goethe-Institut Salvador, Manfred Stoffl, acolher este evento é parte da responsabilidade da instituição: “Em todo o mundo, o Goethe-Institut é um ente ativo nas agendas de minorias sociais. Nossa atuação, no âmbito cultural e educacional, se compromete com a percepção do outro, com a defesa das liberdades e com a visibilidade de movimentos que enfrentam autoritarismos e preconceitos. Esta casa é um lugar de diversidade que esperamos ver se espalhar por toda a cidade”.

A Mostra CUS 10 anos tem como eixo discutir outras formas de ativismo em gênero e sexualidade, com atenção às estratégias adotadas pelo grupo de pesquisa e por outros ativistas no debate sobre as diferenças sexuais e de gênero. A ideia é que sejam experimentadas novas formas de discussão e atuação social, pensando em caminhos alternativos que apostam em formas menos institucionalizadas de fazer política.

Talk show traz debate e performance

Com exceção do show da Mc Linn da Quebrada que ocorrerá no Pelourinho, o evento se concentrará no Goethe-Institut Salvador-Bahia. No teatro da instituição acontecem quatro talk shows que discutem temas como TransArtes, teatrologias, performances dissidentes. Essas mesas contam com a participação de pessoas que estão discutindo as questões de gênero, sexualidade e assuntos interseccionais na atualidade.

Entre xs convidadxs, estão as transfeministas Amara Moira (autora de “E Se eu Fosse Puta?”) e Viviane V. (CUS/ Akahatá), os diretores teatrais Djalma Thürler e Thiago Romero, e a artista visual Virgínia de Medeiros, dentre outrxs. A platéia terá participação ativa na condução dos debates.

Viviane V - foto de Line Pereira

Viviane V – foto de Line Pereira

Os temas discutidos surgem a partir de discussões levantadas dentro do próprio grupo CUS e com relevância para outras comunidades, entre elas a LGBT, transexuais, transgênerxs, intersexuais, assexuais e tantas outras expressões da sexualidade e dos gêneros. O avanço dos discursos de ódio e violência contra pessoas trans, além das tentativas incessantes de anular as discussões de gênero e sexualidade nas escolas e o avanço do fundamentalismo religioso coloca o assunto em pauta de discussão, mobilizando o interesse da opinião pública.

Exposição traz o corpo para o centro das artes visuais

A exposição “Campo de Batalha”, com curadoria de Tiago Sant’Ana, que também é coordenador geral do evento, vai reunir artistas que discutem em suas obras os temas das sexualidades e dos gêneros. “São artistas que falam sobre isso de maneira mais independente e com estratégias menos convencionais. A exposição contará com registros de performance, vídeos, desenhos e fotografias que dialogam criticamente com o espaço que vem sendo dado na arte para essas temáticas”, afirma o curador.

“Campo de Batalha” acontecerá na galeria do Goethe-Institut e colocará a Bahia em outras cartografias, a do debate da arte como importante ferramenta de discutir a condição de pessoas que fogem às normas de gênero e sexualidade. O interesse no campo das artes por essas temáticas vem crescendo como uma forma de reação social e simbólica ao processo de violência e normatização dos corpos. Nos últimos anos, um crescente número de artistas e coletivos se reúne na perspectiva de identificar como “artivismo” essas produções culturais no combate às opressões de gênero, sexualidade, raça e classe.

“A iniciativa desse projeto é debater como a produção de conhecimento e as diversas ações artísticas também consistem numa forma de ativismo e política, apesar de ser uma estratégia diferente dos movimentos sociais comumente conhecidos e com os quais a academia precisa dialogar mais”, finaliza o coordenador Tiago Sant’Ana.

“Campo de Batalha” traz obras dxs artistas Ana Verana, Miro Spinelli, Rafael Bqueer, Virgínia de Medeiros, além de dois arquivos: o Arquivo Padre Pinto e o Arquivo Balizas. A exposição fica em cartaz durante os dias de evento e segue até o dia 27 de maio.

Amara Moira - foto Guilherme Santana

Lançamento de livros

O CUS possui diversas publicações que comprovam a explosão dos estudos de gênero no país, além de livros publicados pela EDUFBA, diversos trabalhos como artigos, dissertações e teses viraram livros que tratam dos assuntos mais polêmicos ligados à discussão de gênero, sexualidade e identidade. Durante a Mostra CUS 10 anos, diversos autores aproveitarão o evento para lançar publicações, entre eles, Dodi Leal, criadora do canal De Trans Pra Frente.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA

Show de encerramento: 20/05 – 20h

Mc Linn da Quebrada

(abertura com Malayka, Estranhas Marujo 2017, Nina Codorna e Alan Costa)

Local: Praça Pedro Arcanjo no Pelourinho

Ingressos: R$ 20 | R$ 10 (meia) – à venda no Goethe-Institut com a produção do evento durante os dias da Mostra (apenas dinheiro)

18/05 (quinta-feira) – Teatro do Goethe-Institut

18h – abertura com performance de Ah Teodoro

18h30 – exibição do filme Cores e flores para Tita, de Susan Kalik

20h – Talk show 1

Amara Moira – escritora e ativista trans

Andrea Magnoni – fotógrafa

Viviane Vergueiro – mestra em Cultura e Sociedade, ativista, transfeminista e integrante do CUS

19/05 (sexta-feira) – Teatro do Goethe-Institut

16h30 – Talk show 2

Coletivo Das Liliths

Thiago Romero – diretor da companhia Teatro da Queda

Djalma Thürler – diretor do Ateliê Voador e integrante do CUS

Stéfano Bello – ator, integrante Selvática Ações Artísticas e integrante do CUS

18h – abertura da exposição “Campo de Batalha”

19h – Talk show 3

Mc Linn da Quebrada – cantora e ativista trans

Alan Costa – representante do coletivo de jovens negros LGBTs Afrobapho

Dodi Leal – criadora do canal de Trans Pra Frente no Youtube

Daniel dos Santos – historiador, pesquisador e integrante do CUS

19h – Programação paralela* – Espetáculo Uma mulher impossível, com Mariana Moreno – ATeliê VoadOR – direção de Djalma Thürler, no Museu de Arte da Bahia (MAB) – Corredor da Vitória

*ingressos R$ 20 (inteira) | R$10 (meia para estudantes e visitantes da mostra)

20/05 (sábado) – Teatro do Goethe-Institut

13h – Oficinas

Introdução ao bondage – Lady Shi e Tiago Sant’Ana

Invasões dissidentes: performances autobiográficas nas fissuras da urbe soteropolitana – Stéfano Belo

Oficina de Monxtração – Malayka SN e Nina Codorna

 

17h – Talk show 4

Virgínia de Medeiros – artista visual

Álex Igbó – artista visual e ativista trans

Tiago Sant’Ana – professor da UFBA, mestre em Cultura e Sociedade, integrante do CUS

20h – Show Mc Linn da Quebrada – Praça Pedro Arcanjo (Pelourinho)

Abertura: Malayka, Estranhas Marujo 2017, Nina Codorna e Alan Costa

Exposição “Campo de Batalha” na galeria do Teatro do Goethe-Institut (até 27 de maio)

Ana Verana

Miro Spinelli

Rafael Bqueer

Virgínia de Medeiros

Arquivo de Padre Pinto

Arquivo Balizas

Acesse o link para fotografias em alta resolução e press kit completo: https://goo.gl/l8bIf2

SERVIÇO

O quê: Mostra CUS 10 anos

Quando: 18, 19 e 20 de maio de 2017

Onde: Goethe-Institut Salvador-Bahia – Corredor da Vitória | Praça Pedro Arcanjo – Pelourinho

Sobre o CuS

O Grupo de Pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS) foi criado em 2007, na Universidade de Federal da Bahia, por uma turma de estudantes de graduação em Comunicação, Letras e Ciências Sociais junto ao Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT), liderados pelo professor Leandro Colling. O objetivo era, e ainda é, produzir pesquisas e atividades de extensão a partir e com os estudos queer, que colocam em xeque as visões essencialistas e biologizantes sobre as sexualidades e identidades de gênero, adotando uma postura de rebeldia na luta pelo combate aos processos de subalternização. Pouco depois de sua formação inicial, passaram a integrar o grupo mestrandos e doutorandos do Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade (PosCult/IHAC). Hoje o CuS conta com pouco mais de 30 pesquisadorxs e tem trabalhado em várias frentes: de publicação de textos a organização de eventos e manifestações nas ruas. No campo dos grandes eventos, o grupo se destacou na realização de três encontros nacionais e internacionais. Entre os destaques estão o seminário “Stonewall 40 + o que no Brasil?”, em 2010, que reuniu em Salvador cerca de 400 pessoas de diversos cantos do Brasil com o objetivo de debater as políticas LGBTs nos últimos 40 anos no país; em 2012, o grupo sediou uma das edições do Congresso Internacional de Estudos sobre a Diversidade Sexual e de Gênero da ABEH – Associação Brasileira de Estudos da Homocultura, com a presença do escritor e ativista Jack Halberstam e de 700 pessoas de 24 estados brasileiros e de alguns países da América Latina. Em 2015, o grupo promoveu o II Seminário Desfazendo Gênero, com o tema “Ativismos das dissidências sexuais e de gênero”, que contou com conferência da filósofa estadunidense Judith Butler e a participação de cerca de 1.500 pessoas pesquisadoras e/ou ativistas do Brasil e do exterior.