Curitibana é a 1ª transexual autorizada no vôlei feminino do Brasil

Comportamento, Social
7 de junho de 2017
por Genilson Coutinho

Entre os dias 20 a 24 de março, as jogadoras das ”Voleiras” competem pela Taça Curitiba (Foto: Isabelle Neris/ Arquivo pessoal)

A curitibana Isabelle Neris, de 25 anos, é a primeira transsexual autorizada no país a jogar por times femininos de vôlei. Na quinta-feira (2), atleta foi liberada para competir em torneios ligados à Federação Paranaense de Vôlei (FPV). No domingo (5), ela já estreia oficialmente em um time feminino em um torneio amador de São José dos Pinhais, na Região de Curitiba.

Também já tem jogo oficial da FPV marcado para o time das “Voleiras”, equipe que Isabelle faz parte. Entre os dias 20 a 24 de março, as jogadoras competem pela Taça Curitiba.

“Estou bem animada, a Taça é um evento de grande porte; a ansiedade bate por saber que é o meu primeiro jogo oficial realizado pela federação”, relatou.

A atleta foi liberada para jogar após uma reunião com a FPV, na quinta. Isabelle apresentou a identidade social e o documento de mudança de nome civil, além de exames hormonais que comprovam que seu nível de testosterona é igual aos de outras atletas da modalidade.

Isabelle é a primeira mulher transsexual autorizada no país a jogar por times de vôlei femininos (Foto: Isabelle Neris/Arquivo pessoal)

Trâmites legais

Para receber liberação para os campeonatos federais, a parte administrativa das “Voleiras” entrou em contato com a federação depois da atleta demonstrar interesse nas competições oficiais.

“Sempre apoiamos em tudo e começamos a correr atrás dos meios legais para que ela pudesse participar oficialmente”, informou uma das representantes das Voleiras, Ildeane Baldo Schiochet.

Conforme superintendente da FPV Jandrey Vicentin, não há nenhuma regulamentação oficial para casos como o de Isabelle, que é o primeiro do país. “É um fato novo. No documento dela, consta sexo feminino e nós quisemos garantir os direitos civis dela”, disse.

Além disso, Jandrey relatou que fez um pedido de ajuda para a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) para que um estudo científico seja feito para casos como esse. A intenção é garantir ainda mais os direitos esportivos e civis para pessoas tr Inspiração e determinação

A atleta entrou para a equipe em maio de 2016 e a inspiração para continuar a treinar veio por parte da jogadora de vôlei Tiffany Abreu, que é brasileira e conseguiu permissão da Federação Internacional de Vôlei para atuar entre as mulheres na Itália.

“A Tiffany jogava em um time masculino e, depois, vi que ela conseguiu a liberação para entrar em um feminino. Foi o estopim para que eu não desistisse desse sonho”, contou.

Isabelle já participou de dois torneios amadores e de categoria mista. Ou seja, em cada time jogam três homens e três mulheres. De acordo com ela, a organização de cada competição amadora cria suas próprias regras. Nessas disputas, ela teve que apresentar exames hormonais para comprovação de que poderia entrar na cota feminina.

A atleta disse ainda que viu a desistência de muitas mulheres transsexuais na modalidade e que isso fez com que ela persistisse ainda mais. “Nós devemos correr atrás do que queremos, somos a geração da mudança. As pessoas vão querer nos barrar, mas não devemos desistir se aquilo é o nosso sonho”, desabafou.

Torneio

O time de Isabelle joga no, às 12h, no Ginásio Cobra, em São José dos Pinhais. O torneio é organizado pelo Galatasaray Voleibol. No campeonato, os jogadores usam um uniforme com a hashtag “#SomosTodosIsabelle”. A ação é em resposta ao preconceito sofrido por ela em um dos jogos que participou.ans.