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Alice no País das Maravilhas

 

Por Davidson Rocha

Na noite de segunda-feira (19/04), o site Dois Terços foi conferir à pré-estréia de Alice no País das Maravilhas. Pelo número de convidados que compareceram para prestigiar o evento notou-se o quanto era grande a expectativa do público para o lançamento do filme. Sala lotada! Era o “fervo”! Munidos dos incríveis (e incômodos) óculos 3D, todos esperavam ansiosos pelo inicio do filme.

 

Um pouco sobre o livro.

Alice é a protagonista de dois livros escritos no começo do século XIX Alice no País das Maravilhas e Alice no País dos Espelhos por Chales Lutwidge Dogson mais conhecido pelo pseudônimo de LEWIS CARROLL. Ambientado em Londres durante a era Vitoriana, o romance conta a história de uma jovem que acidentalmente cai na toca de um coelho e vai parar num mundo alternativo cheio de criaturas fantásticas. Mal sabe ela que sua visita não fora acidental e que estaria ali para completar uma profecia e libertar os habitantes do reino da terrível Rainha de Copas.

A história de Lewis já foi traduzida em diversos idiomas, serviu de inspiração para Matrix, e já foi animada, filmada, e interpretada nos teatros. Chegou a vez de Tim Burton reviver este clássico da literatura européia, e colocá-lo sob sua ótica dark, assim como foi com A Fantástica Fábrica de Chocolates, A noiva Cadáver e a Lenda do Cavaleiro sem Cabeças. Aliando a excelente direção do Burton, as mais modernas técnicas de filmagem e os recursos 3D, temos a impressão de estar diante de um “kirigami” (aquele livros cujas figuras levantam ao abrir a página) high-tec. Os personagens pululam da tela diente dos nossos olhos, com uma realidade tal, que muitas vezes parece que estamos dentro do filme.

O livro é cheio de metáforas, de dilemas morais e simbolismos, e o filme não deixou a desejar. Como a cena em que Alice deve atravessar o fosso do castelo da Rainha Vermelha, na água do fosso centenas de cabeças decapitadas. O cão que leva Alice até o castelo a previne: Só há uma maneira de chegar até o castelo. A história de Alice na verdade é também uma metáfora da entrada súbta da adolescencia. As constantes trocas de tamanho, a busca por sua identidade, a metamorfose da lagarta, e o dilemas morais. Todos estes são os problemas que enfrentamos ao passar por esta fase tão complexa.

O trabalho de interpretação dos personagens reais e os animados está soberbo! Jonny Deep que em minha humilde opinião é o ator mais brilhante da atualidade dispensa comentários. A simples aparição do Chapeleiro Maluco sintetiza toda a atmosfera do filme. Os olhos dele são um show a parte, indescritível. E o que falar da dupla antagônica Alice(MIA WASIKOWSKA) e Rainha Vermelha(HELENA BONHAM CARTER)? Quem nunca ouviu ecoar a célebre frase da Rainha “Cortem-lhe a Cabeça”? A Nobre Tirana que mais parece uma versão caricata da Rainha Elizabeth I escandaliza com caras e bocas, manda e desmanda para ganhar no grito (literalmente) a cena e nossa atenção. A irmã da vilã a Rainha Branca vivida por ANNE HATHAWAY (Diário de uma Princesa, O Diabo Veste Prada) também está impagável. Uma criatura tão delicada que por vezes achamos que ela vai evaporar. Seus gestos e seus exageros de suavidade a tornam a personagem mais hilária do filme.

A direção de arte foi impecável. O filme parece uma tela pálida, com cartela de cores esmaecida, um sonho ou uma ilusão, onde só o vermelho se sobressai. Não poderia deixar passar sem comentários também o figurino luxuoso dos personagens. Desde o coelho de casacão aos vestidos cheios de pompa das Rainhas. Tudo feito com o cuidado e o estudo aplicado aos filmes de época.

Ao unir passagens de ambos os livros, Burton faz uma salada, a Rainha Vermelha só aparece no segundo livro, em Wonderland a vilã é a Rainha de Copas. Razão pela qual o seu exército é formado por cartas de baralho.

Tim Burton reafirma seu talento a cada filme. Apesar de levar o nome de Alice no País das Maravilhas Burton se referencia a todo o universo criado por Lewis. Apesar do clima naturalmente denso do livro original, Burton consegue alcançar um equilíbrio louvável, ao criar um filme que pode ser visto por todas as idades, sem ser abobalhado e melodramático nem violento e sangrento. Uma boa adaptação que certamente instigará os leitores a descobrir as riquezas dos livros originais. Recomendado para todos os fãs de Alice e para os que infelizmente ainda não a conheceram. Uma Maravilha!

 

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