Coordenador LGBT de SP é investigado por articular rede de corrupção em centros de cidadania

Comportamento, Social
20 de agosto de 2018
por Genilson Coutinho

O coordenador municipal de políticas LGBT, Ivan Santos Batista, ao lado do prefeito Bruno Covas. Foto: Reprodução/Instagram

Da CBN

Antes de ser investigado por enriquecimento ilícito e prejuízo aos cofres da Prefeitura de São Paulo pelo Ministério Público, Ivan Santos Batista já era alvo de pelo menos outras três processos em órgãos diferentes. O coordenador LGBT da prefeitura é investigado no Tribunal de Contas do Município, na Controladoria e no departamento de procedimentos preliminares da Procuradoria.

As acusações são de que ele favoreceu entidades da preferência dele na administração dos centros, retaliou associações com as quais não tem boa relação, interferiu na nomeação de profissionais contratados pelas empresas conveniadas com a prefeitura para favorecer o PSDB, além de ser conivente com funcionários fantasmas.

O centro LGBT da Zona Norte, um dos quatro da cidade, é administrado pelo Instituto Omindaré. A gestora da entidade, Regina Steiner diz que Batista pediu a contratação de pessoas ligadas a ele em uma reunião na prefeitura logo depois do convênio ser firmado.

“Quando nós chegamos lá ele nos solicitou quatro vagas e não gostou da história da nossa coordenadora ser a Maria de Lourdes Salazar. E, para as quatro vagas que ele nos solicitou, nós entrevistamos algumas pessoas, mas eram pessoas totalmente incapacitadas para as funções. Eram [pessoas] ligadas ao PSDB. Eu não iria tirar um profissional altamente capacitado para colocar uma indicação. [Depois disso] nós recebemos desde o mês de junho até agora todos os tipos de retaliação. Eu digo não só do Ivan, mas da equipe inteira dele. Cada dia era uma cabeça de um funcionário que era pedido”, disse ela.

Já na investigação do TCM, os auditores contam que visitaram três dias seguidos, em abril do ano passado, outro centro LGBT, no Arouche. Logo na primeira visita, nenhum dos cinco funcionários denunciados como fantasmas estavam presentes: dois coordenadores, um comunicador, um advogado e um assistente. Na segunda visita apenas os coordenadores estavam lá. E na terceira, o contador também não apareceu. Eles consideraram a denúncia procedente.

O documento também aponta o favorecimento de entidades conveniadas sem critérios para administração dos Centros LGBT, o que também é investigado pelo Departamento de Procedimentos Disciplinares da Procuradoria.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo disse que a Controladoria já auditava a coordenadoria LGBT pelo menos desde 2015, que todos os procedimentos permanecem em andamento, garantindo direito à defesa dos envolvidos e, que ao término dos trabalhos, todas as medidas cabíveis serão tomadas.

Nesta semana a CBN revelou que Ivan Santos Batista entregou trios da Parada Gay contratados pela a prefeitura para a exploração ilegal de empresas privadas.

Batista alegou que desconhece as denúncias e por isso não quis se manifestar.