Coletivo Kiu! se solidariza aos familiares de Itamar e pede uma apuração rígida

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19 de abril de 2013
por Genilson Coutinho


Os atos de violência em Salvador tem chegado a uma situação alarmante, inúmeros casos de jovens que sofrem violência em crimes de ódio. Não faz muito tempo, um casal de lésbicas foi agredido no ACBEU por seguranças e até hoje o caso não foi solucionado.
Numa manhã de sábado (13) o corpo de Itamar Ferreira Souza, 27 anos, estudante de Produção Cultural na Universidade Federal da Bahia (UFBA), foi encontrado no fundo de uma das fontes do largo do Campo Grande. Desde então, houve uma série de informações mal-explicadas e desencontradas sobre o caso, numa investigação-relâmpago que logo responsabilizou três supostos moradores de rua, identificou o crime como latrocínio despido de qualquer traço de homofobia e ainda culpabilizou a vítima, ao afirmar, baseado no relato do suposto assassino, que ele teria se exposto ao perigo por buscar sexo grupal com aqueles que viriam a mata-lo.
Veja nota na integra
NOTA SOBRE O CASO DE ITAMAR FERREIRA
Nós do Diretório Central dos/as estudantes da UFBA, do Coletivo Kiu!- Coletivo Universitário pela Diversidade Sexual, do Grupo Gay das Residências da UFBA (GGR) e Movimento de Lésbicas e Bissexuais da Bahia, repudiamos a tentativa da mídia de desmoralização de Itamar com declarações torpes de cunho moralista que tentam apontar como causa para o crime o comportamento sexual da vitima. É inadmissível mais essa violência contra Itamar. Entendemos que esse crime pode ser qualificado como homofóbico, pois os assassinatos por homofobia sempre tem semelhanças pela perversidade e violência extrema. No caso de Itamar, tamanha brutalidade deixa claro que para os criminosos roubar não era suficiente, era preciso humilhar e matar de forma perversa.
Ainda que se trate de um latrocínio, o caráter homofóbico do crime fica evidenciado se analisada a situação em que foi encontrado o corpo e se for feita comparação com crimes ocorridos na mesma localidade. Talvez, se tratasse de outra pessoa, seria apenas mais um assalto no Centro de Salvador.
Por isso exigimos a apuração correta dos fatos, mantendo o sigilo do inquérito, e julgamento de acordo com a lei para os criminosos. Itamar para nós não será mais uma estatística, e sim mais um símbolo de luta contra esse sistema opressor que escolhe suas vitimas pela cor da pele, classe social e orientação sexual. A forma de investigação-relâmpago que concluiu tanto antes mesmo de ouvir uma testemunha-chave – o amigo de Itamar – Edmilson, também espancado, demostra que há mais interesse em “enterrar” o caso e não resolvê-lo.