Casamento homoafetivo: quem leva o buquê?

Comportamento, Social
5 de julho de 2017
por Genilson Coutinho
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Foto: Thiago Mohallen

Por Luiz Ramon Abdon

Ser gay não é fácil. Celebrar um casamento, então, com festa, bolo, cerimonialista e todo fuzuê festivo é um desafio para os casais homoafetivos. O grau de informação das empresas de eventos e seus fornecedores costuma ser próximo do zero. Se são duas mulheres, quem leva o buquê? O noivo gay entra com o pai? Tem padrinho? Chá de lingerie?

O assunto ainda é novo, cercado de mistérios e tabus, onde o preconceito faz morada. E a última coisa que o casal deseja é sofrer discriminação no dia do casamento. Mas corre o risco, sim, de encontrar fornecedores desinformados e homofóbicos na festa ou antes, durante os preparativos.

O primeiro item que o casal costuma escolher é o espaço da festa, como buffês e restaurantes, e muitos deles se recusam fazer uma cerimônia gay. “Que pena, mas não temos data para atendê-los”, a frase clichê que muitos fornecedores utilizam para se manter na zona da homofobia.

Assim comos os héteros, os gays alimentam o profundo desejo de comemorar a união e transbordar amor que têm um pelo outros com os amigos e familiares. O chamado pink money (poder de compra da comunidade LGBT) é poderoso e o casamento civil no cartório não basta.

Casamento fora do armário pede festa fora da caixinha. Mas isso não significa purpurina e arco-íris espalhados pela festa. “Esse público quer o tradicional, mas com a cara deles”, revela a cerimonialista e dona da Festa Casamento Gay, Cris Coelho, em entrevista ao site Lilian Pacce.

A luta pela aceitação da diversidade é árdua, mas o respeito pela liberdade de expressão existe e isso fortalece o pensamento de que pessoas do mesmo sexo -que se amam- não devem arder no inferno, como a sociedade normatiza.

Luiz Ramon Abdon é estudante de jornalismo, dono do blog Audácia Baiana e acredita no poder das palavras e de como podemos mudar o mundo usando-as.