Casamento homoafetivo: legalização e o amor de Ângelo e Ricardo

Notícias
13 de julho de 2017
por Genilson Coutinho
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Foto: Thiago Mohallem

Por Luiz Ramon Abdon

A regulamentação do casamento gay possui cerca de 15 mil registros oficializados em todo o país. O número representa um aumento de 51,7% em relação a 2013 – primeiro ano de vigor da norma, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Dois Terços conversou com o gerente de recursos humanos Ângelo Biset e o dentista Ricardo Pereira, juntos a 12 anos, sobre as mudanças jurídicas e sociais que a oficialização do casamento promoveu na vida do casal.

Eles assinaram a União Estável em 2010, logo após surgiu a vontade de casar (civil, cerimônia e festa), mas o medo do preconceito ainda dominava: “o que vão achar?”; “vão julgar?”.

O sorriso e o brilho no olhar ainda são os mesmos do primeiro encontro na Orla de Jardim de Alah, em Salvador. E a força desse sentimento fizeram oficializar a união no dia 20 de abril de 2016.

“Jamais podíamos imaginar o tamanho do carinho e amor que chegou até nós de todos que estavam e dos outros que viram as nossas fotos. Famílias, amigos, colegas de trabalho, foi realmente um momento muito especial. Inesquecível. O rosto de cada um que nos cumprimentou, o carinho dos fornecedores que deram seu melhor para que aquilo dia fosse mágico. E foi! Meu Deus, como foi! Estamos aqui juntos, celebrando cada dia. E agradecendo por tudo que veio e pelo que virá”, conta o casal.

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Foto: Thiago Mohallem

Ângelo, que é dono do site Entre Elxs, afirma que o casamento civil contribui para a inclusão dos casais homoafetivos em um contexto que, até então, somente admitia casais entre homens e mulheres. “Tínhamos que arranjar outras formas de nos casar, mesmo recorrendo a justiça. Acredito que depois da regulamentação as pessoas passaram a ter mais coragem.”

A união estável firmada em cartório, no entanto, também assegura a maioria desses direitos. “Nossa relação passou a ser respeitada e reconhecida, até na nossa família. Casar foi a oficialização dessa nossa união, mas também nos garantiu o direito de poder colocar o outro como dependente num plano de saúde, por exemplo. É a certeza que se um dos dois faltar o outro não fica desamparado”, relata.

Em termos absolutos, os casamentos gays ainda são minoria – 0,5% do total. No entato, pessoas do mesmo sexo têm-se casado muito mais que os heterossexuais. Entre 2015 e 2016, houve um aumento da comunidade LGBT na busca de fornecedores e empresas de eventos para celebrar casamento. E, a maioria do público, encontra fornecedores desinformados e homofóbicos na festa ou antes.

Durante os preparativos, Ângelo e Ricardo não sofreram discriminação. “As feiras de casamento não estão preparadas para receber o público gay. Começa pelo nome, é sempre ‘noivas’. E, por isso, os nossos fornecedores levam fotos e vídeos do nosso casamento para quebrar um pouco”.

Bem humorado, o gerente de RH brinca em um dos seus vídeos do canal no Youtube que vai falar de vestido de noiva. Segundo ele, o preconceito e a falta de conhecimento da realidade LGBT perpetuam esteriótipos sobre o relaciomento homoafetivo.

Os dois moram juntos desde 2006 e no íncio tiveram que lidar com os altos e baixos de toda relação. Até a força do amor invandir, trazer paz e toda beleza da filha de 4 patas, Suri, para completar a família.

Luiz Ramon Abdon é estudante de jornalismo, dono do blog Audácia Baiana e acredita no poder das palavras e de como podemos mudar o mundo usando-as.

  • Angelo Biset

    Linda matéria! Adorei!