Casamento homoafetivo: entrevista com o fotógrafo Thiago Mohallem

Sala VIP
24 de janeiro de 2018
por Genilson Coutinho

Por Luiz Ramon Abdon

Thiago Mohallem é luz e cor. Publicitário, fotógrafo de casamento, ele sabe bem do que as luzes e cores são capazes de fazer se usadas de forma correta. Inquieto e criativo Mohallem busca a sutileza nas fotografias e confessa ser apaixonado pela forma de eternizar momentos. Para ele é fundamental ter sensibilidade para olhar diferente o que está visível para todos. Nesta entrevista, descubra mais sobre esse fenômeno do universo de casamento.

Quando você começou a se interessar por fotografia?
Durante a faculdade de Publicidade e Propaganda, da qual sou formado, foi que me despertei pela fotografia. Durante o curso a matéria fotografia é lecionada durante 2 anos na faculdade.

Quando ela deixou de ser um hobby e se tornou profissional?
Quando passei a não dormir de ansiedade de ter que registrar algo solicitado por amigos ou parentes.

Que tipo de fotografia desafia mais um profissional como você a buscar o novo?
Fotografar criança é sempre uma surpresa, algumas nem olham para a sua cara (risos). Por isso precisei estudar um pouco mais desse universo infantil, cada idade tem uma personalidade, por isso passei a observar mais as crianças com um olhar mais analítico. Hoje chego em um evento infantil e primeiro observo a criança e sua movimentação pela festa, aí só depois começo a fotografar.

Como você avalia o cenário fotográfico em Salvador/BA?
Salvador tem várias belezas naturais, é nítido isso! Milhares de pessoas buscam pela cidade para turismo e lazer. Infelizmente com a violência existente de forma exagerada na cidade, alguns locais eu evito fotografar. Mesmo que eu leve um segurança armado comigo, não consigo me sentir livre para explorar meu lado criativo na fotografia. Infelizmente acabo saindo de Salvador para fotografar, assim me sinto um pouco mais seguro.

A fotografia vai muito além da técnica. É preciso ter sensibilidade no olhar e criar diferentes visões de um mesmo produto. Para você, é mais importante aprender a técnica para depois exercitar o olhar, ou é essencial possuir a sensibilidade para depois aprender a teoria?
A câmera fotográfica é uma máquina, e como toda máquina é necessário aprender como funciona. Então com a teoria e técnica conhecida, aí sim você aplica o seu perfil fotográfico. Á técnica é comum para todos, mas o olhar fotográfico cada um tem o seu. Meu maior público são noivas e noivos, mas não fico focado em estudar só esse mundo gigantesco, também vejo muitos livros de arquitetura, paisagens e outros, assim aprimoro mais meu olhar criativo.
Ter sensibilidade para olhar diferente o que está visível para todos é fundamental, mas você precisa saber a técnica, isso é fundamental.

Quais as delícias e aflições de ser fotógrafo?
As delícias são várias! É fantástico você congelar um momento que nunca mais irá acontecer, claro, poderá acontecer de uma outra forma, mas nunca acontecerá igual. Você congelar um choro de emoção é surpreendente. Você fazer o casal se emocionar novamente só de olhar suas fotos é incrível! Chegar na casa de um casal, ver o álbum que você fez na mesa de centro da sala de visita, nossa, é lindo!
Aflições… enfim, acho que a maior aflição de um fotógrafo é perder o registro feito por causa de um defeito na câmera ou no cartão de memória. A tecnologia ajuda muito mas infelizmente ela não avisa quando irá parar de funcionar. Quando chego de um evento, só consigo colocar a cabeça no travesseiro e dormir depois de descarregar todos os meus cartões de memórias em 2 HDs e ver que está tudo em segurança.

Luiz Ramon Abdon é jornalista, dono do blog Audácia Baiana e acredita no poder das palavras e de como podemos mudar o mundo usando-as.