Casal de brasileiros sofre agressão homofóbica em Portugal

Notícias
3 de outubro de 2019
por Genilson Coutinho
Fabio Von Der Liebl e Victor Drummond em Portugal, onde vivem desde 2018 (Foto: Arquivo pessoal)

Fabio Von Der Liebl e Victor Drummond em Portugal, onde vivem desde 2018 (Foto: Arquivo pessoal)

A visita de um casal de brasileiros ao Terreiro do Paço, principal ponto turístico de Lisboa, capital de Portugal, no domingo 29, ficou marcada pela violência e intolerância. O casal foi brutalmente atacado com chutes, socos e injúrias homofóbicas.

O jornalista Victor Drummond e seu marido Fabio Von der Liebl, que estão morando no país há 9 meses, estavam retornando para casa quando foram abordados por cinco homens que tentavam vender drogas para o casal. Ao recusarem o pedido e seguirem andando, passaram a ser atacados pelo grupo começou com ofensas de cunho homofóbico.

“Compra pepino para você dar para seu amigo”, dizia um dos agressores para o casal enquanto seguia os dois na beira do rio. Victor avistou um carro da Guarda Civil Metropolitana e seguiu em direção aos guardas para se proteger. Mas, para conseguir provar as ofensas, resolveu pegar o celular e começar a gravar as injúrias feitas pelo grupo.

“Nesse momento os cinco homens ficaram furiosos e começaram a correr com mais velocidade atrás de nós. Enquanto eu corria, ouvi um barulho e quando olhei para trás vi meu marido caído no chão enquanto levava socos e chutes dos agressores”, conta Victor. “Nesse momento eram quatro homens, um deles ficou com medo da polícia e fugiu.”

O designer Fabio Von Der Liebl ficou com as costas machucadas após agressões

A guarda chegou no local e rendeu os quatro agressores. A polícia foi chamada junto com a ambulância para prestar socorro às vítimas. A polícia registrou um boletim de ocorrência mas, mesmo com o testemunho dos guardas que presenciaram a agressão, os quatro rapazes foram liberados.

Victor entrou com uma ação para processar os rapazes por crime de homofobia. A legislação portuguesa não reconhece o crime de ódio enquanto figura penal autônoma, mas prevê agravamento de pena para certos crimes cometidos por motivos relacionados com a real ou percepcionada orientação sexual ou identidade de gênero da vítima, entre outros.