Casal cria editora especializada em livros LGBT e mira grande mercado

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22 de outubro de 2015
por Redação

Juliana Albuquerque

Nos quase dez anos de carreira no mercado editorial —atuando em grandes editoras, como Ática e Saraiva—, uma sensação incômoda tem acompanhado Juliana Albuquerque: livros com temática LGBT são coisa rara nas livrarias.

“Entre em qualquer grande loja e pergunte ao vendedor se ele tem algum título de literatura LGBT. Ele indicará, no máximo, uns três títulos”, diz.

De olho nessa lacuna, ela e o marido, Marcio Coelho, fundaram, em setembro, a Hoo Editora, casa voltada exclusivamente à ficção LGBT –mas não exatamente uma editora de nicho, como afirma a publisher.

“O que queremos é que a temática LGBT esteja na história não como exceção, mas, sim, de maneira natural, como na sociedade”, diz. “A vida não é heteronormativa. A vida é muito mais diversa que isso”.

Segundo Juliana, nas obras os protagonistas não serão sempre gays, as cenas de amor não envolverão obrigatoriamente pessoas do mesmo sexo e os relacionamentos nem sempre serão homoafetivos. “Queremos elementos do universo LGBT nas histórias, independentemente de serem histórias sobre gays, escritas por gays ou algo assim.”

A proposta da nova editora atraiu a atenção de escritores. Quatro dias depois de um post público em seu perfil no Facebook, em setembro, a Hoo recebeu oito originais; com uma semana, o número subiu para 15. “Até o momento recebemos 50 propostas”, diz Juliana.

Os planos da nova editora são audaciosos: a Hoo lança em novembro os dois primeiros títulos —”Nicotina Zero”, romance de Alexandre Rabelo, e “Torta de Climão”, HQ de Kris Barz (R$ 29,90 cada um). Depois, quer colocar no mercado um novo livro por mês até junho de 2016.

“Os livros terão tiragem inicial de 3.000 exemplares”, diz Juliana. Uma quantia similar à média praticada no mercado, mas incomum para títulos LGBT —que geralmente têm tiragens mínimas e obras vendidas apenas on-line. “As grandes lojas do varejo apostaram na nossa ideia e pedem, em média, 300 exemplares cada”, afirma.

Juliana diz que, entre os próximos lançamentos, há títulos do gênero “young adult” (um infantojuvenil sem ingenuidade). Pode surgir aí um “A Culpa é das Estrelas” na versão LGBT. “Se o best-seller de John Green trouxesse um casal gay, provavelmente receberia mais holofotes, mas não de maneira positiva”, afirma.

Da Folha