Casa Número Nada faz temporada no Teatro Xisto Bahia

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26 de julho de 2011
por Genilson Coutinho

O solo autoral da atriz Mariana Freire, dirigido por Fábio Vidal, “Casa Número Nada”, realizará temporada de apresentações no Teatro Xisto Bahia (Biblioteca Central dos Barris), nas quartas-feiras de agosto (dias 3, 10, 17, 24 e 31 de agosto), às 20h. O espetáculo retorna aos palcos baianos com novo formato, agora ainda mais intimista e em arena, para no máximo 60 pessoas por noite. As mudanças são resultado do continuado processo de pesquisa da intérprete.  Para Mariana, “a saída do espaço tradicional sempre foi meu desejo inicial com o solo, mas antes eu não tinha tanta clareza como agora. Sinto que estou caminhando agora no sentido de pensar o fazer teatral de outra forma, mais despojada de sua pompa, do seu glamour e me aproximando do sentido de essencialidade e economia que já existe na “Casa”, desde o início, tanto na parte técnica quanto no meu trabalho como performer. Eu quero aprender a estar de verdade com o público.”

“Casa Número Nada” integra o repertório do Território Sirius Teatro, coletivo teatral da Cooperativa Baiana de Teatro, é vencedor do prêmio Manoel Lopes Pontes, FUNCEB/2007 e do Edital/2008 Jurema Penna – Circulação de Teatro. É um solo teatral e autoral desenvolvido através da pesquisa e experimentação processual, colaborativa com o público, que gerou uma dramaturgia autêntica e uma poética cênica singular.

Renata e o vazio – O solo apresenta uma mulher – Chamada Renata (que significa Renascida), que chega à sua casa e a encontra vazia/roubada. O texto cênico parte da súbita retirada de toda segurança material da personagem, que se defronta a partir de então com o vazio existencial de sua alma e se depara com questões adversas que tratam do sistema capitalista de consumo, o “ter” versus o “ser”, a memória, o sentimento, o estado de coisificação que vivemos; o resgate de humanidade, o estado de luto-crise e sua superação.

Renata se encontra no limite entre a razão e a loucura, procurando ancorar-se na lógica da segurança material apregoada por nossa sociedade, ao mesmo tempo em que entra num processo de introspecção, resgatando suas memórias e levantando questionamentos íntimos. Ela se vê obrigada a confrontar-se com os seus sentimentos e emoções e redescobrir outros valores para além de seus móveis, objetos, seguros e notas fiscais. Desta maneira, toda concepção dos elementos do espetáculo (cenário, figurino, iluminação e trilha) apresentam uma “economia essencial” que pretende questionar/dialogar sobre “O SENTIDO E FINALIDADE DA VIDA”. O ator e suas possibilidades corporais, vocais e subjetivas é o gerador da poesia da cena no espaço vazio.

A situação cênica gerada articula o fantástico à realidade. Todo o solo foi construído a partir de partituras físicas, ações cotidianas com extrema precisão técnica. Para tanto, técnicas como do teatro físico, da mímica e do teatro essencial participaram desta construção da cena poética. “Casa Número Nada”, paralelo a apresentação da cena, pesquisa o papel do expectador/público tanto na recepção do espetáculo “pronto”, como no processo de construção e apresentação do mesmo; confrontando através do diálogo direto (do debate) as percepções, críticas e comentários da audiência. O público, neste caso, é colaborador ativo desta construção work progress.

CURRÍCULOS

Mariana Freire, Bacharel em Interpretação Teatral pela Universidade Federal da Bahia (2004). Iniciou a carreira no palco a partir do XII Curso Livre de Teatro da UFBa, em 1996. Já atuou como atriz em 25 espetáculos teatrais para adultos e crianças, tendo realizado atividades também nos bastidores, com preparação corporal de atores e na construção de personagens. Atualmente, integra o coletivo teatral “Território Sirius Teatro”, da Cooperativa Baiana. Principais trabalhos realizados: “Pé de Guerra” – ano 2000 / Direção: Marcio Meirelles; “Ó, Pai, Ó” – ano 2001 / Direção Marcio Meirelles; “Capitães da Areia” – ano 2002 / Direção de Lelo Filho e Fernanda Paquelet, produção da Cia. Baiana de Patifaria; “A Trilogia Baiana” – ano 2003 / Direção de Meran Vargens; “A Casa de Bernarda Alba” – ano 2007 / Direção: Fabiana Monçalú; “As Coisas Boas da Vida” – ano 2008 / Direção: João Sanches; “Casa Número Nada” – ano 2008 / Direção: Fábio Vidal; “O Olhar Inventa o Mundo” – ano 2008 / Direção: Felipe Assis; “TABATABÁ” – ano 2009 / Direção: Philip Boulay; “Dias de Folia” – ano 2010 / Direção: Jacyan Castilho.

Fábio Vidal, Ator-performer, autor e diretor. É formado em Interpretação Teatral e mestre pela Universidade Federal da Bahia. Ministra aulas acerca do trabalho criativo do ator e do teatro físico. É representante do Conselho de Núcleos da Cooperativa Baiana de Teatro.É fundador do grupo “Território Sirius Teatro”, da Cooperativa Baina de Teatro e participante do grupo de Improviso Teatral “Os Bobos da Corte”. Principais trabalhos realizados: Como ator – Murmúrios e Divinas Palavras (dir.Nehle Franke); Os Acrobatas (dir Ewald Hackler); Casa de Eros (dir. Jose Possi Neto); Otelo (dir. Carmem Paternostro); “Recital Gregório de Mattos”, “Noite do Improviso” e “Drumond”, todos com a direção de Meran Vargens. Como criador, diretor e intérprete atuou em “Seu Bomfim”, “Velôsidade Máxima” e “Erê – Eterno Rêtorno” (fruto do projetos solos do Brasil, que contou com a coordenação artística de Denise Stoklos).

Foto Alessandra Nohvais

SERVIÇO:

O que? Casa Número Nada

Quem? Mariana Freire

Onde? Teatro Xisto – Barris

Quando? 03, 10, 17, 24 e 31 de agosto às 20h(todas as quartas)

Quanto? R$ 10,00/5,00

Produção? Patricia Rammos, Mariana Freire e Fábio Vidal